O analfabetismo no Brasil

Apesar do nome sério, esta é uma historinha verdadeira e engraçada, acontecida com meu irmão quando cursava a Faculdade de Medicina na Santo Amaro.

Meu irmão Roberto é conhecido por sua procrastinação. Desde criança, deixava a lição de casa para fazer no dia seguinte, às pressas, já na escola. Ele chegou a ter até uma certa fama entre os professores do Brasílio Machado, como o aluno que sempre passava a hora do lanche fazendo a lição de ontem.

Na época do Natal, ele só conseguia mandar cartões para os amigos no dia 25 à tarde! De fato, o ditado “Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje” não faz parte da vida do meu irmão. Acho que é algo familiar, pois o meu filho Jonathan é igualzinho, embora eu seja completamente o contrário.

Pois bem, como primeiroanista de medicina, o Roberto precisava entregar um trabalho de nem sei quantas páginas (muitas) com o título “O analfabetismo no Brasil”. Ele até que tentou começar o trabalho, mas outras coisas pediam sua atenção (namoradas). Os dias foram se passando, o rascunho não saía da primeira página, daí ele rasgou tudo e foi procrastinando a coisa, até que o dia da entrega chega e ele nem tinha uma linha escrita.

Foi para a faculdade, provavelmente, esperando que algum milagre acontecesse, e que o trabalho aparecesse escrito e bem encadernado para ele. Não dá pra acreditar, mas no próprio dia de entregar o trabalho (que não existia) ele ainda passou a manhã toda no Shopping Paulista tentando achar um presente para a namorada (uma delas) que fazia aniversário. Os colegas dele, a esta hora, já estavam na faculdade, todos com seus trabalhos em pastas, tudo referenciado e certinho.

Meia hora antes da entrega, o Roberto teve uma idéia de gênio. Pensou que não tinha nada a perder em por sua idéia em prática e foi até a biblioteca, onde arranjou numa pastinha folhas em branco no número certo das páginas que deveria entregar. Colocou tinta num carimbo e carimbou seu polegar, o qual aplicou no centro de todas as páginas em branco. Pronto. Aí está o analfabetismo no Brasil: a pessoa nem pode escrever, tem que carimbar o dedão.

Juntou seu “trabalho” aos outros e entregou ao professor. Dias depois, as notas estavam fixadas à parede. Ele foi o único que tirou dez, a nota máxima. O professor ainda o elogiou pela criatividade e inteligência.

Devo dizer que meu irmão hoje é um ótimo médico – se bem que ainda deixa muita coisa para amanhã…

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