O adeus a Hebe

A televisão brasileira perdeu a sua maior apresentadora desde que ela foi introduzida no Brasil. Eu só tive o prazer de assisti-la durante alguns anos, enquanto vivi em São Paulo. Mas, foi o suficiente para amá-la e idolatrá-la como se a visse todos os dias. Ela sempre defendendo e ajudando os menos favorecidos em seus programas semanais, com muito brio e muita coragem. Aquela sua gargalhada, que era comum em todos os momentos, vai deixar muitas saudades. A sua adoração pela vida sempre foi uma constante.

A única vez que a vi pessoalmente foi há muitos anos atrás, em 1947. Ela tinha apenas 18 aninhos, morena linda e esbelta, e sua carreira tinha apenas começado como locutora. Foi na Rádio Bandeirantes, quando ela estava localizada na Rua Libero Badaró bem ao lado do Largo São Bento. Esse prédio já não mais existe no local. Só algum tempo depois é que eles foram para a Rua Paula Souza. Eu tinha apenas 12 anos e acompanhava minha mãe em uma apresentação de uma cantora e dançarina espanhola "Lá Gitanela", que era patrocinada pelo conhaque Palhinha, famosa destilaria da época.

O Sr. José Luiz Pinto, que era o presidente da companhia e sempre estava no auditório assistindo as apresentações de seus patrocinados, descobriu que eu imitava o latido de um cão. Naquela noite, ele me chamou do lugar onde estava e me levou para o palco antes do espetáculo começar. Passamos para o outro lado das cortinas e ele mandou que latisse. Na minha inocência de criança, eu comecei a imitar o cachorro, quando me aparece uma moça morena linda, me dando a maior bronca.

Eu amedrontado e olhando o Sr. José, gargalhando a gosto, fui me defendendo e apontando a ela quem me tinha ordenado a fazer aquilo. E foi ai que eu ouvi pela primeira vez o que iria se tornar um dos seus bordões mais ouvidos e usados durante toda sua longa carreira: "Ai que gracinha". Pois ela não poderia contrariar um dos melhores patrocinadores da Rádio Bandeirantes, que a empregava. Nunca esqueci essa passagem na minha vida. E algum tempo depois ela se tornou uma cantora de sucesso (dentre esses sucessos o hino em homenagem ao IV Centenário de São Paulo).

Atriz de cinema e depois a Rainha das apresentadoras brasileiras e, como hoje diz a mídia, não deixou nenhuma sucessora para ocupar seu lugar. Acompanhei todas as homenagens, desde o seu falecimento, que foi tão belo, pois com todo o seu sofrimento com essa doença que a acometeu, ela passou para o outro lado da vida junto a sua saudosa amiga Nair Bello, durante o sono. Isso foi, acredito, um prêmio de Deus por todo o bem que ela sempre praticou. Que Deus lhe dê muita luz. E nós aqui orando para isso. Que ela descanse em paz. O Brasil inteiro está de Luto.

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