Nos Tempos de Brigitte Bardot

Noutro dia, falei sobre meu cinema preferido, o Santa Cecília, na Olímpio da Siveira, quase esquina com Cons.Brotero. Mas, sempre fui um andarilho, e não só nesta época de jovem. Mesmo hoje, não dispensamos, minha esposa Márcia e eu, uma boa caminhada diária.

Mas naquele tempo ainda não tinha carro, e não haviam muitos motivos, geralmente, para ir á grandes salas da Cinelandia, pois os vários cinemas do bairro eram ótimos, e os filmes de primeira linha.

Então, subamos pela São João, passando ao largo do Metro, do Aurora, do Regina, e mais tarde, do Cinerama. Atingiríamos então a minha região: a dos cinemas próximos á Pça.Marechal Deodoro, então frondosa, e ao Lgo. Padre Péricles.

Não havia do que se queixar: na R.Barão de Tatuí, paralela a Angélica, o Cine Itamarati, para começar. Vi ali bons filmes, muitos deles franceses. Era a época dourada de Brigitte Bardot, com sua perversa mistura de inocência e erotismo. Enlouqueceu Pablo Picasso, já em avançada idade; imagine-se então seu efeito sobre um jovem como eu, com os hormônios em ebulição.

Lembro-me de muitos fimes, com "Les Tricheurs", com a pequena, mas fascinante Pascale Petit. Filmes italianos da era do rock; "Orfeu do Carnaval"; o belo "Meu Tio", com Jacques Tati.

Na Pça.Marechal havia ainda outro cine, de alta classe, quase na esquina da Angélica. Não lembro seu nome, e peço ajuda a quem interessar possa…

Entrando pela Albuquerque Lins, chegaríamos ao estiloso Cine S.Pedro, com suas grandes máscaras de teatro grego dando direto para a sacada do quarto de minha avó Sebastiana,que morava com minha tia Zilda. Vi muita coisa ali, também, desde " A trapaça", de Fellini,"Les Amants",de Louis Malle até Jerry Lewis e até mesmo Mazzaroppi.

Se prosseguíssemos pela Olímpio da Silveira, passando pelo famoso Cine Santa Cecília,chegaríamos ao Lgo.Padre Péricles, e sua igreja de S.Geraldo,onde alimentei uma bela e frustrada paixão juvenil.
Bem defronte, o grande Cine Esmeralda,onde vi "Ulisses", com Kirk Douglas, o famoso bang-bang "Shane"…

De vez em quando o filme queimava, e a projeção não retornava.
Quem tinha de retornar éramos nós, para casa…fica para outra vez!

Enfim,seguindo em frente, lá estava o Cine Havaí, na R.Turiassú, já nas Perdizes. É o que lembro desse circuito cultural Sta. Cecília-Perdizes.

Belos filmes, longas caminhadas, que não se repetiriam, pelas tranqüilas ruas dos anos 50…