No tempo da Jovem Guarda

Em 05.04.07 escrevi um texto contanto a minha história vivida em São Paulo. Para minha alegria ela foi publicada no site São Paulo minha cidade e mais alegria ainda senti pelo fato de 02 (dois) leitores paulistas, o Jairo e o Antonio, terem respondido. Vejam vocês como a vida nos reserva boas surpresas.
As histórias publicadas no site, quase 900 histórias, me deixam agradecido.
Como gratidão por me oferecerem esta oportunidade de contar a minha historia retomo com outra.
A cidade depois desse tempo mudou muito. Lembro-me dos conselhos que meus conterrâneos me davam quando resolvi viajar para lá. Diziam-me que ao chegar na rodoviária, a 1a. coisa que me ocorreria era ser assaltado e ter minha mala carregada pelos ladrões. Fiquei com medo e apavorado, mas viajei assim mesmo. Nada do me disseram aconteceu. Para resguardar-me do perigo de ser preso, levava sempre comigo minha carteira profissional, para mostrar que não era um vagabundo. Durante o tempo que morei em São Paulo, ninguém me solicitou os documentos. A carteira em função do uso contínuo ficou surrada, mas aumentou o grau de importância porque ela me representava um testemunho da minha honestidade e da liberdade que tinha conquistado em solo paulista.
Lembro-me dos horários que passei dentro dos coletivos, indo para o meu local de trabalho. Era a principal preocupação não chegar atrasado. Quanto à volta, não importava, o horário era meu e fazia o que bem entendia. Outras lembranças da cidade foram as aventuras feitas na cidade, ou melhor, nos bairros da periferia, Penha, por exemplo, onde conheci uma garota que se chamava Dalva. A Dalva não dava muita bola/atenção para mim. Era difícil um estrangeiro demonstrar confiança. Não conseguia convencê-la das boas e reais intenções que era de namorar pensando em casamento. Era uma tentativa de me livrar da solidão que sentia na cidade grande e isso me deixava apavorado. Foi então que numa noite inspirada roubei um beijo da pretendente. Ela ficou desconcertada. Anos mais tarde fui encontrá-la aqui na cidade de Florianópolis, onde moro. E ao nos reencontrar-mos lembrava ela do ocorrido, daquele beijo no rosto roubado, que me fez apaziguar a alma e o espírito pela grande esperança que ela me proporcionou. Meu gesto amoroso talvez soasse volúvel, e que a mulher bonita que era, não se tratava de mera atração, mas amor mesmo e pela possibilidade de ter uma companhia feminina. Era apenas isso que eu queria, companhia para a solidão e para dar certo sentido a minha vida. O namoro por fim não durou muito. Lembro-me de ter ido ao cinema num domingo. O fato de ela ter consentido e a chance que tive de ficar ao seu lado durante a sessão do cinema, mais romantismo ainda por ela ter deixado pegar a sua mão.
Eu tinha feita algumas tentativas para conquistar uma "pequena", mas tudo em vão. Logo o namoro foi desfeito, por conta da desconfiança dela. Eu não era mesmo páreo para ela, mas ficar comigo como seu companheiro foi a glória.
Anos mais tarde a encontrei aqui mesmo na cidade. Estava casada e eu também. Do encontro fortuito, foi uma conversa breve, de uma amizade que começou numa festinha americana e de ter o privilégio de acompanhá-la até a sua casa. Foi nesse dia que o beijo foi roubado.
Pode parecer excesso de romantismo. Mas se levarmos em conta que esse tempo era tempo da Jovem Guarda e da tv tupi/Record com shows de Roberto Carlos, Eramos Carlos, Vanderléia, Jerry Adriani, Roni Von, e a novela Beto Rockfeller, de Plínio Marcos estrelado pelo ator Luiz Gustavo e outros atores.
Esses artistas, para nós jovens, eram tudo o que a gente queria e sonhava. Essa então e uma parte de minha história no quadro conte a sua história.
Abraços
Clesio de Luca

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