No mercadão

Dias atrás, minha filha Lola deveria embarcar para Recife onde faria cobertura fotográfica para uma revista especializada em turismo, juntamente com seu marido Jorge Mazieri, que é repórter da mesma revista.
Bom, levei os dois até o aeroporto de Guarulhos e, na volta, domingo de manhã, pela Avenida do Estado, resolvi fazer uma visitinha a um velho conhecido: O mercado Municipal de São Paulo. Ao chegar, o primeiro contratempo, inevitável em São Paulo, um guardador de carros se aproximou exigindo R$5,00 adiantados para "olhar meu carro". Pensei em responder como um amigo meu "pode olhar, mas olha rápido que eu já estou saindo" ou então "olha, mas eu cobro a olhada, paguei caro nesse carro", porém, temendo represálias, preferi ficar e aceitar a "oferta". Eu queria entrar no mercado, então fui.
As coisas ali dentro permanecem como sempre foram; é como se o tempo houvesse parado. Há o típico falar paulistano, as brincadeiras dos barraqueiros, o cheiro bom das conservas, dos embutidos, a cara de felicidade das pessoas que vagueiam nos corredores. As barracas tradicionalíssimas. Ali está São Paulo, a cidade mais gostosa do país. Pena que ao sairmos tudo se transforma. Lá fora, a podridão do rio, as favelas verticais, os guardadores de carro, a sujeira das ruas, os ônibus poluindo tudo. A vida, que está lá fora, é a vida real; dentro, tudo é sonho. No fundo se completam, mas é meio triste. As redomas são essenciais, mas deve haver sempre uma saída.