No Instituto Médico Legal

O meu amigo Miranda, funcionário do departamento de compras da VEMAG S/A, conforme os leitores devem se recordar, contou-nos, noutra oportunidade, um outro acontecimento com o nosso colega Murilo Barbosa.

Um parente do Murilo Barbosa desapareceu na nossa grande metrópole e a família, desesperada, o procurava por todos os lugares possíveis e imagináveis: hospitais, delegacias, etc. Coube ao Murilo procurá-lo no IML (Instituto Médico Legal).

Passando em sua residência, ele buscou a sua esposa, que carinhosamente era chamada de Nenê, para acompanhá-lo ao fúnebre e amedrontador local. Ao chegarem lá, desceram ao subsolo frio e escuro do IML.

O porteiro responsável pelos frigoríficos, onde são guardados os corpos a serem examinados pelos legistas, era um indivíduo corpulento, mal encarado e se vestia com um poncho escuro que lhe cobria daqueles ombros exagerados até os pés.

Aquela figura grotesca, naquele ambiente assombroso, causou pânico ao Murilo que, cochichando, logo foi orientando a sua esposa: “Se esse homem fizer qualquer movimento suspeito, eu pulo em cima dele e você pede por socorro”. Assim combinados, seguiram o porteiro. Ao chegar defronte uma porta, o homem meteu uma das mãos dentro do poncho para pegar o chaveiro. Diante do movimento e do ruído metálico, o Murilo, assustado, fez o combinado: agarrou o homem; a sua esposa assustada emudeceu. Nesse instante, ele mais temeroso do que nunca, gritava para sua esposa:
– Grita Nenê, grita! Grita sua filha da…

O pavor havia transformado aquele homem de fino trato, educado, respeitado, em ser naturalmente desesperado e grosseiro.

Se ele foi perdoado, não sei dizer, mas o seu parente não havia morrido: ele estava viajando com a namorada, sem haver informado aos familiares.

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