Natal e Fim de Ano no Brás…

Estou escrevendo este texto no início de Dezembro, já sentindo a aproximação das festas de fim de ano, quando dizem: como passou rápido este ano! Começo a sentir aquele nó no "Gorgomilo", de pensar nesta festa de fim de ano. Que nos dias de hoje nos deixam "tristes".

Estas datas eram muito esperadas durante o decorrer do ano, eram famílias que embora unidas, estavam separadas pela distância, e por isso aguardavam para se reunirem no Natal ou no Fim do Ano. Eram pessoas que estavam longe e solitárias que corriam para junto de seus familiares, para comemorarem estes dias festivos.

As famílias que estavam juntas o ano todo também aguardavam com bastante expectativa, para juntas participarem solidariamente destas prazerosas reuniões festivas. Enfim, eram como qualquer ser humano "normal" na sua grande maioria "curtindo" o convívio de seus familiares e amigos queridos.

Avós e pais aguardando seus filhos, genros, noras, netos, parentes, amigos e vizinhos, ruas em festas, a cidade em festa. Uma festa universalmente conhecida por ser uma festa onde se reunia a "Família" ops! Cheguei na parte principal da questão!

Onde está a "Família" só vejo "individualidade", só vejo "egoísmo" só vejo “competitividade", só vejo "futilidade", se olhar bem, só consigo enxergar "falsidade”, (logicamente não de um modo geral). Para início de conversa, atualmente os casais não se casam, em sua maioria "se juntam". Sem nenhum planejamento familiar se quer criam seus filhos.

Os avós e as escolinhas, com suas falsas "tias", quem criam estas crianças. Os filhos não respeitam os pais, os pais não se fazem respeitar e os avós são cúmplices destes desvios de educação. A família fica muito tempo fora de casa e as reuniões familiares ficam cada vez mais difíceis de serem realizadas.

Trocaram os valores, mudaram o "tempo", o imediatismo impera, não só na vida familiar, como também na "extra" familiar. A permissividade, a banalização, a indignação com a miséria e com a degradação do Ser Humano. Parece que pode tudo, que tudo é válido e que o "viver" restringe-se a um universo de 50 ou 100 metros quadrados.

No meu "Velho e querido Brás", com raríssimas exceções, as portas das casas ficavam abertas, o ar era de festa. No ar os aromas dos deliciosos manjares preparados pelas nonas, mamas, madres, avós e mães. Temperados com muito amor, e que eram oferecidos não somente para os da casa, mas também para os vizinhos.

Na manhã do dia seguinte, nós as crianças, nos encontrávamos na rua para brincar com nossos novos presentes, que tanto poderia ser um revolver de "espoleta" como o "top", uma bicicleta "monarck". Que quase nunca ganhava, mas pedia emprestada e acabava matando a vontade. Em um Natal ganhamos, eu e meu irmão, uma bicicleta, era muito peso pro Papai Noel.

Enfim era um verdadeiro desfile de alegria, e não menos importante era também a Festa de Final de Ano, em que tudo se repetia, e culminava com uma "monumental quebra de pratos", que representava o final do "Ano Velho", abrindo-se com esperanças o início do "Ano Novo", e no primeiro almoço do ano era servido um "magnífico" banquete.

Previamente elaborado pelas "especialistas em culinária" que contavam com todo o apoio logístico dos familiares, que tornava a tarefa mais amena, e era feita com absoluto prazer e já no final da tarde, "invariavelmente" iniciava-se uma divertida tômbola (bingo), quase sempre quem "cantava" as pedras era aquele tio ou tia mais alegre.

Dentro deste cenário descrito acima, como podemos ter Natais e Festas de fim de ano como antigamente, com toda a família reunida, e com todos colaborando com algo ou com alguma atitude, não era preciso "justificar" ausências, não brigavam para lavar a louça, não disputavam qual era o presente mais caro, todos (no sentido mágico), acreditavam em "Papai Noel".

Os presentes eram demonstrações de afeto, e não secreto, de preço pré-estipulado, sabia-se com antecedência quem era quem! Cunhado era cunhado, sobrinha era sobrinha, e assim por diante, enfim todos eram conhecidos e conviviam sempre em "harmonia" não era essa bagunça de hoje, em que as pessoas "estão" e não "são", dá para "entender", como podemos nos relacionar com quem "está" e não "é"…

A moralidade está acabando e o sentido da amizade também. Alguns livros, alguns filmes, algumas teorias, algumas letras de músicas, a televisão, alguns atos praticados por quem tem o dever de dar exemplo. "Empurram" goela abaixo uma "permissividade" muito perigosa, e é por isso talvez que estamos tendo uma "amostra" do que está por vir.

Não quero com este desabafo, desestimular as pessoas, ou afirmar que esta instituição que é a "Família", não exista mais, nem tampouco parecer radical, mas que está acabando, cada vez mais, lamentavelmente… Está!

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