Lembro bem quando meus filhos me provocavam com a nova era tecnológica que surgia a cada dia. Isso foi na metade da década de 90. Meu filho mais velho trabalhava para uma companhia ("Dole") bem tradicional por aqui, e que acabou por levá-lo para a Costa Rica com toda a família. Ele era um analista de sistemas. E como tal, estava sempre viajando para ficar atualizado. E quando passava aqui em casa, vinha com seu laptop e vivia me aporrinhando com a era das coisas muito fácies (para ele). E como sabia que eu gostava de futebol, só para me provocar, me dizia: <br><br>- Pai, o senhor tem que comprar um computador para acompanhar o Corinthians como eu.<br><br>E ligava o laptop e mostrava os gols da rodada, narrados como se eu estivesse assistindo na televisão em São Paulo. Era mesmo incrível para mim, porque ele sabia que eu ficava aos domingos lá fora com meu radinho de ondas curtas tentando ouvir algum jogo e nem sempre as ondas eram favoráveis. Mas eu não me iludia com essa ideia, pois eu achava que minha mente cansada já estava por demais sobrecarregada naquelas alturas da vida. Já tinha chegado nos 60 e nunca iria conseguir assimilar tanta coisa. E ia deixando seus conselhos para lá. Mas não era só ele que me aporrinhava, pois os outros dois que moravam na Califórnia também viviam tentando a mesma coisa, mas nada me fazia mudar de ideia e ia tocando meu barco. <br><br>Em 1997 fizemos, eu e a Lourdes, 40 anos de casados e a garotada com os netos vieram todos festejar essa data com a gente. Naquela semana antes da festa cheguei ao entardecer de volta do trabalho e eles deveriam estar todos na praia. Minha esposa pediu (propositalmente) que eu lhe alcançasse algo no aposento que uso como meu escritório. E para minha enorme surpresa, e que até certo ponto me contrariava, eles haviam comprado um computador com todos os demais apetrechos que existiam naquela época, há 16 anos atrás. Windows 95 com vídeo-câmera “scaneador”, impressora e tudo o mais, inclusive até uma mesa própria para acomodar todos aqueles apetrechos, que eu nem sabia o que iria fazer com tudo aquilo. E indicaram uma pessoa para me ensinar quando eu tivesse problemas. E assim foi meu começo como um internauta, parece que foi ontem, mas já faz 16 anos.<br><br>Daqueles aparelhos logicamente já não existe mais nada em meu poder, nem poderia existir porque hoje são todos peças de museu. Fui aprendendo na luta e até hoje quando penso que já sou craque, resulta que não é bem assim, pois sempre aparece uma coisa nova, principalmente quando se troca de computador. Mas não é fácil não. E o linguajar desta nova era a gente só consegue decifrar com um dicionário virtual na mão. Convenhamos para uma mente velha com 78 anos dentro dela não há mais espaço para quase mais nada.<br><br>Agora nós, os idosos, temos que dar a mão à palmatória, pois são tantas coisas que acontecem em um abrir e fechar de olhos que não dá para acreditar. Esses smartphones fazem de tudo (eu não tenho um, nem quero), fico aqui com meu velho celular no bolso (desligado) o que leva meus filhos a loucura (gosto muito de privacidade), mas sempre o ligo quando preciso chamar alguém, ou quando é necessário. Eu nunca vou tomar uma multa por falar no celular enquanto dirijo.<br><br>Mas, voltando a eles, notei recentemente quando estive no Japão junto com meus filhos e amigos e todos eles logicamente tinham seus inseparáveis pequenos computadores na mão (os smartphones) e como estávamos do outro lado do mundo eles estavam limitados, pois não conseguiam chegar onde queriam. Percorreram aquelas lojas eletrônicas em Nagoya que existem por todos os lados e procurando algo que os ajuda-se a facilitar suas conexões (eles sabiam o que queriam, menos eu) e não conseguiam encontrar, a barreira do idioma os impedia pois o inglês dos nipônicos chega a ser sofrível na pronúncia, alguns não da para entender mesmo, embora se esforcem sem limites para ajudar. <br> <br>Mas quando voltávamos do primeiro jogo em Toyota, eles notaram um corintiano falando dentro do trem (contrariando as regras, pois não se pode falar ao telefone no transportes públicos) com o Brasil, e finalmente conseguiram as informações que queriam do aparelho que eles precisavam, eu meio dormindo dentro do trem nem prestei atenção no nome do dito cujo, e que não tinha sido comprado e sim alugado no aeroporto de Narita. E lá foram eles alugar um na quinta-feira e dividir a despesa em quatro e se acoplarem os quatro a um aparelho só desde que não se distanciassem muito do que portava o dito aparelho. E como estávamos sempre juntos não havia problemas. Isso para mim estava fora de cogitações, pois meu velho celular ficou lá do outro lado do mundo e mesmo que estivesse comigo não era inteligente o suficiente para entrar nessa onda.<br><br>Mas confesso que fiquei abismado com os resultados que aquele aparelhinho do tamanho de uma caixa de fósforos me proporcionou no dia da final, estávamos todos saindo do estádio depois do jogo e já caminhando pelas ruas, todos falando com as famílias do outro lado do mundo com os smarthphones nas mãos e vendo os nossos entes queridos do outro lado do vídeo, isso tudo sem estar conectados, tudo wireless, nós lá às 11h da noite daquele domingo e nossa família na manhã do mesmo dia, coisa fantástica mesmo.<br><br>Mas com tudo o que consegui aprender nestes últimos 16 anos, se eu não quiser ficar desatualizado, tenho sempre que continuar aprendendo. Mas confesso, realmente não é fácil, pois o vocabulário usado virtualmente atrapalha (Bluetooth, Woofle, Brufle, Trifle, etc.), na vida real a tradução dessas palavras não tem sentido. No próximo texto que vou enviar que não sei quem é o autor, mas me foi enviado por um amigo de São Paulo. Aí vocês vão compreender como não é fácil mesmo para nós, os idosos. E o pior, pois está ficando cada vez mais difícil, com as novidades aparecendo diariamente e nós ficando cada vez mais velhos. E por isso que eu peço a Deus que me dê uns 20 anos mais. Nunca se esquecendo do Aureliano que quer a metade desses 20. Mesmo assim, como elas surgem tão rápidas acho que com dez a gente vai ver muita coisa do outro mundo continuar acontecendo. Que Deus nos permita.<br><br><br>E-mail: [email protected]