Música, poesia e romance, onde estão?

Sexta-feira, noite chuvosa, acabo de assistir o capítulo final da minissérie referente à vida da saudosa Dalva de Oliveira. Todos de casa se recolhem ao leito, eu permaneço na sala em penumbra, fecho os olhos e imagino uma velha cash-box. Coloco uma ficha e os discos começam a rodar, músicas que nos fazem lembrar os bons tempos da mocidade, verdadeiras jóias do nosso cancioneiro popular.

Na primeira faixa Francisco Alves diz:
"Eu sonhei que tu estavas tão linda,
Numa festa de raro esplendor,
Teu vestido de baile…lembro ainda:
Era branco, todo branco, meu amor…"

Logo em seguida, Silvio Caldas nos brindava com:
“Meus cabelos cor de prata,
São beijos de serenata,
Que a lua mandou pra mim.
E os beijos foram tão puros,
Que os meus cabelos escuros
Ficaram brancos assim…”

Carlos Galhardo, com sua voz de veludo dizia:
“Agora que não te tenho ao meu lado,
A segredar apaixonadas juras,
Busco às vezes no nosso amor de outrora,
A relembrar nossas íntimas loucuras”

Em outra faixa Orlando Silva, o cantor das multidões diz:
“Meu coração, não sei porque,
bate feliz, quando te vê
e os meus olhos ficam sorrindo
e pelas ruas vão te seguindo,
mas mesmo assim, foges de mim…”

A música segue, lá vem Nelson Gonçalves, e diz:
“Hoje não existe nada mais entre nós,
somos duas almas que se devem separar,
o meu coração vive chorando e a minha voz,
já sofremos tanto que é melhor renunciar…”

Outra faixa nos traz Dalva de Oliveira dizendo:
“Quando dois corações se amam de verdade,
Não pode haver no mundo maior felicidade,
tudo é alegria, tudo é esplendor,
Ai, ai que bom seria se eu tivesse um amor…”

Nelson Gonçalves volta e nos diz:
“A camisola que um dia, guardou a minha alegria,
desbotou, perdeu a cor, abandonada no leito,
que nunca mais foi desfeito, pelas vigílias de amor…”

O ruído de uma freada de veículo lá fora me faz voltar à realidade, fico pensando nas músicas de hoje, a maioria desprovida de sentido romântico. Algumas até com duplo sentido, fazendo apologia às drogas e incitando a violência, que pena!

Como eu gostaria de voltar o tempo, caminhar pelas ruas desertas cantarolando muitas dessas músicas. Tendo ainda nos lábios o sabor do beijo de despedida da namoradinha da outra rua e com a densa neblina agasalhando nossos sonhos. Só quem viveu pode avaliar. Quanta saudade!

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