Moradores Ilustres do Itaim

LEONIDAS DA SILVA. Morava quase na Joaquim Floriano, mais para a Rua Iguatemi. Estava no auge de sua carreira. Vinculado ao rio de Janeiro e tido como acabado para o futebol, Leônidas veio para São Paulo numa aposta de Paulo Machado de Carvalho, que como dirigente do São Paulo F.C pagou 200 mil reis pelo seu passe. Aí, Leônidas ao chegar em São Paulo teve o dissabor de ouvir que ele não passava de um bonde no valor de 200 mil reis. Na verdade Leônidas estava afastado do futebol e com moral muito baixa por ter sido preso, como estelionatário. Leônidas tinha falsificado o certificado de reservista. Era o que diziam os jornais da época. O São Paulo F.C apostou nele pagando uma fortuna.
Aqui em São Paulo Leônidas não deu problema algum. Era um cidadão muito educado inclusive. Sua estréia no São Paulo foi no início dos anos 1940. Foi uma sensação. Nunca o estádio do Pacaembu teve tanta gente como naquele dia. 72.000 pessoas. Naquele tempo não havia venda antecipada de ingressos, as pessoas iam, compravam na bilheteria do estádio e entravam. Estando o estádio cheio, e muita gente querendo entrar, os alto falantes do estádio pediam às pessoas que ficassem de pé para poder abrigar a todos. E assim foi para se chegar a esse público recorde, que nunca foi quebrado, mesmo tendo o estádio sido aumentado com a demolição da concha acústica, a construção do tobogã, em 1969. Foi no Pacaembu que o público viu o lance antológico que até hoje não se esquece. Quando ele, Leônidas, sentindo que não alcançaria a bola jogou o corpo para o ar e com as duas pernas, como se estivesse se esperneando, conseguiu alcançar a bola, indo ela parar na rede. Geraldo José de Almeida em sua narração apelidou de gol de bicicleta. E ainda citou com ironia que quem tinha feito tal façanha era o BONDE de 200 mil reis. Leônidas deixou o futebol em 1951, como jogador. Virou técnico. Não deu certo. Então foi ser comentarista esportivo da radio Pan Americana, na época a emissora do esporte. Ficou lá por muitos anos, era um comentarista comedido. Fala mansa, nunca usou o subterfúgio de xingar ou fazer sensacionalismo, e não criticava técnico por isso ou aquilo, Na copa do mundo de 1958, destoou dos demais não se opondo a indicação do técnico Vicente Feola.
Outro ilustre morador do Itaim foi Amacio Mazzaropi, artista de Circo, rádio, cinema e televisão. Seus filmes realizados nos estúdios Vera Cruz em São Bernardo são lembrados até hoje. Candinho, Chofer de Praça, Tristeza do Jeca, O Corintiano. Verdadeira obra prima que realizou em sua fazenda de Taubaté, para onde transferiu seu Set de filmagem, depois do fechamento da Vera Cruz. Um sonho de Chiccilo Matarazzo. O mecenas das artes e da cultura dos anos 1950. No dia 10 de Janeiro de 1960, tive o prazer de estar junto de Mazzaropi no Pacaembu assistindo o jogo Palmeiras 2 x 1 Santos na disputa do título de campeão de 1959.
José Carlos Bauer, centro médio do São Paulo F.C também era um Itaiense. Morava na Rua Tapera. Vivia desde pequeno circulando pelas ruas do bairro com sua chuteirinha debaixo do braço. Na copa do mundo de 1950, Bauer foi denominado de O MONSTRO do Maracanã. Era pardo, filho de suíço e mãe negra. Um grande caráter. O conheci nos veteranos do Canto do Rio nos anos 1980. Bauer faleceu neste 4 de fevereiro de 2007, aos 81 anos. Preces…