Anos 50 a 60, eu morador do Bairro da Mooca Baixa, como era chamada, trabalhava em uma fábrica de brinquedos nesse bairro. Na época, crianças que tinham pais com problemas financeiros começavam a trabalhar bem cedo, para ajudar a pagar as despesas da casa, como aluguel, etc.
Com nove anos já trabalhava nessa fábrica, bem próxima de minha casa. Muitas vezes, passando pela Radial Leste, na época ainda não existia as pistas de asfalto, fazíamos campos de rachão e jogávamos bola até escurecer, existiam várias fábricas, como o Labor; na esquina da Barão de Jaguará existia uma loja de nome Bandieri, que vendia ferragens de todos os tipos e materiais de construção. Existia, também, o Colégio Dom Bosco.
Tínhamos vários clubes de futebol, como o Madri da Mooca, Badieire, Labor, MAC, Dom Bosco, Palestra da moóca… Tínhamos também o salão de bailes Piratininga, onde nos Carnavais íamos dançar nas matinês, era muito legal. Na época, passavam bondes na Rua da Mooca e os automóveis tinham muita dificuldade em andar sobre os trilhos (na época houve vários acidentes, com final muito triste, terminando até em morte).
Tínhamos o Cine Roma e o Cine Santo Antonio, onde falsificávamos documentos e com 12 anos assistíamos aos filmes da Brigite… E ficávamos deslumbrados quando se via um seio exposto de uma mulher. Hoje, nada mais espanta, pois, assistir a filmes pornôs se tornou normal. Tínhamos o grupo Eduardo Carlos Pereira, e o mandarim que vendia discos de vinil; tínhamos, também, bem perto do Clicerio, o Parque Xangai. Lembro que uma das atrações era um gol de futebol com traves e rede como existia nos estádios, o goleiro fardado e as pessoas pagavam uma quantia e batiam três pênaltis nesse goleiro, se marcassem algum gol tinham um brinde. Era uma coisa bastante simples, mas de uma alegria muito grande. Recordar é viver e sempre me lembro desta Mooca simples, porém maravilhosa, pelo respeito e os grandes amigos que não tinham preço.
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