Hoje onde se encontra o Shopping Plaza Sul, ou suas imediações, na Av.Ricardo Jafet ou Abraão de Morais… é melhor simplificar para Água Funda, aí fica mais claro – existiu um parque de diversões…Era simples, de bom tamanho, sem roda-gigante, mas tinha carrossel, lagarta, pires giratórios, vagões com caras de bicho que corriam pelos trilhos.
Despretensioso, mas um prato cheio para as crianças da região, e mesmo de fora dela, que faziam seus pais estacionar por ali, atraídos pelas cores e ruídos. Estivemos várias vezes lá com os filhos, mesmo porque morávamos não muito longe, no Planalto Paulista.
Mas a grande e apavorante atração era Monga, a Mulher Macaco. Era uma tenda, com um cartaz de um feroz gorila, por fora. Mesmo não estando em função, as crianças passavam ressabiadas pelo local, com medo, mas loucas para darem uma espiadinha pelas frestas.
Era um espetáculo curioso, eu já o havia visto na cidade – no Lgo. Paissandu, será possível ou estou devaneando? E lá fomos novamente. O esquema era o mesmo – entrava pelos fundos da jaula uma mulher bonita, ou nem tanto, de maiô. E ali ficava, como adormecida.
Com o crescendo da música, ela ia se transformando. Começava a se agitar, apareciam pêlos, dentes garras. Isto enquanto a luz ia diminuindo. Finalmente, transformada num gorila, começava a rugir e sacudir as grades, para horror da platéia. Vi várias mocinhas fugirem correndo, nesta hora.
E as grades ameaçavam se abrir, o que finalmente acontecia. O macaco saía e simulava correr para a platéia, quando então as luzes se apagavam. Um jogo de espelhos, sem dúvida, mas muito bem feito.
Monga, o nosso King Kong, a bela e a fera reunidos no mesmo corpo. Ou será o símbolo da besta interior, que reprimimos e de vez em quando escapa, fazendo estripulias e barbaridades pelo mundo? Será por causa dela que o planeta está, e sempre esteve assim?
Quanto mais reprimida, mais aumenta e berra, cada vez mais feroz interiormente. Então, parece que o caminho deve ser o reconhecimento de que, numa porção do cérebro, continuamos pitecantropos primitivos, e só assim poderemos, com diálogo, paciência, amor e compreensão, domar a fera e fazê-la trabalhar em nosso favor.
Afinal,os brutos também amam.