Estudei no Instituto de Educação Nossa Senhora da Penha, uma escola de tradição no bairro da Penha de França. Ela era muito concorrida e as vagas eram limitadas, o aluno só entrava após um rigoroso teste.
Naquele ano, eu havia terminado a antiga 4ª série, que corresponde hoje ao 9º ano do primeiro grau. Como de costume a escola marcava o dia da missa, marcando o inicio das cerimônias de formatura.
Com antecedência as mães preparavam um lindo vestido que seria usado na entrega do diploma e na missa.
O bairro da Penha ficava em festa, pois a missa era realizada na Igreja Nossa Senhora da Penha, que, toda enfeitada, recebia os alunos da escola que levava seu nome. A lotação era completa, os bancos e corredores eram preenchidos pelos alunos e convidados.
Tudo era emocionante, as musicas, as orações, a comunhão e até o sermão do padre, que neste dia tinha algo especial a nos falar e sensibilizada nossos corações.
Naquele dia tão importante da nossa vida, estávamos recebendo as bênçãos da nossa querida Nossa Senhora da Penha e não dava para segurar as lágrimas que rolavam nos rostos daqueles jovens, inclusive no meu, cheios de sonhos e ilusões.
Quantas promessas, aos pés do grande altar que aconchegava a padroeira do bairro, fizemos. Entre abraços e beijos, mãos unidas e muitas lágrimas o grito era um só: nunca vamos nos separar!
Mas no silêncio da última foto que tiramos na porta da igreja, já sabíamos que cada um seguiria seu caminho, alguns ainda seriam companheiros do mesmo curso, mas a maioria teria rumos diferentes. Foi o que aconteceu.
Mas o destino fez com que, após quarenta anos, reencontrássemos parte daqueles jovens sonhadores, hoje na condição de meninos-homens. Nosso grande encontro foi marcado e assim pudemos matar as saudades e relembrar o passado. Como tudo tem o tempo de começar e terminar, neste dia na hora da partida, nos abraçamos, choramos e fizemos promessas, percebi que ainda continuávamos sonhadores…
Agora, com as emoções mais controladas, nos encontramos periodicamente, uma vez a cada seis meses e o bom de tudo isso é que o assunto nunca se esgota e as surpresas sempre acontecem. São muito prazerosos nossos encontros, o abraço amigo é confortante e a nossa alegria é constante, principalmente porque conseguimos encontrar alguns de nossos antigos professores e que hoje frequentam nossas reuniões não só como mestres , mas como nossos grandes amigos.
Fiquei muito feliz porque com isso acabei reencontrando antigos namorados do colégio e hoje nos tornamos grandes amigos.
A antiga Igreja Nossa Senhora da Penha continua no mesmo lugar, mas o bairro ganhou uma nova matriz, mais ampla e pomposa para sediar a Padroeira do Bairro da Penha e reunir novas turmas de formandos.
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