Mirandópolis, Rua das Rosas – anos 60

Lembrar do bairro de São Paulo onde vivi a "década de ouro" é a melhor recordação que tenho. A época da "infância comportada" que passei no bairro de Mirandópolis.

Um lugar muito feliz onde, logo cedo, ouviam-se os pássaros cantando nas alamedas, e sons de aulas de pianos e violões nas residências de ruas com nomes de flores: Rosas, Jacintos, Camélias, Glicíneas, Narcisos, Jasmins, Violetas.

Os garotos se reuniam sentados em um muro na esquina da Rua das Rosas e Rua Narcisos. Lá já estava o Nélson Donadio, líder por simpatia e sempre sorrindo, que já tinha uma "ideia na cabeça" da brincadeira que ia rolar naquele dia.

Com a ideia, logo saíamos chamando por assobio (característico) outros da turma que participavam: Joãozinho Cordis, José Carlos, Álvaro Arangio, Pinguim, Takiti, Boya, Zé Maria, Quim, Heitor, Ted, Guido, Arnaldo, Wagner, Zé Cláudio, Tomás, Pedro, Walter e Amadinho, Mica e Henrique, Renato, Milton, Edmur, Mauricio, Carlão e muitos outros que me fogem à memória.

Os jogos mais acirrados e que geravam mais lutas para vencer eram os mais divertidos. Exemplo: guerra de estilingue com mamonas; futebol nos campos do Ibirapuera, dos Advogados, ou no Colégio Arquidiosesano; queimada e outras tantas brincadeiras.

Esta mesma galera foi crescendo e entrando na fase da "juventude comportada". Naquela mesma esquina, agora nos reuníamos para mostrar uns aos outros uma nova camisa de Bouclê, Banlon, ou novo rádio portátil, pulseirinhas gravadas, novidades da onda.

De lá, saíamos, em pares ou grupos menores, para dar umas bandas (passeio) pelo bairro e paquerar loiras e morenas. O itinerário era feito para passar nas casas das mais lindas e atraentes gatinhas: Ivone, Maria Cristina, Kimiê, Marilena, Cláudia, Dora, as Veras, Regina Célia, Bebel, Célia, Marilu, Doroti, Sueli, Erna, e outras.

Às sextas-feiras, uma única pergunta estava no ar: "Onde é o baile hoje?”.

A saudade é grande e as imagens que ficam são inesquecíveis das Igrejas de Santa Rita de Cássia, Metodista, do Convento, Cine Nilo, e do Externato Anchieta.

Lembro, inclusive, que todo bairro tem seu bêbado, e lá, orgulhosos, tínhamos um ébrio, o "Pacheco", senhor culto que se vestia de smoking ou fraque, e emprestava ao bairro seu ar de elite e o traje a rigor.

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