Marcos… Marquinhos… Marcão… Marcola. Tive, na Parada Inglesa, muitos amigos com esses nomes ou apelidos. Não estou conseguindo associar o nome às pessoas. Mas, com certeza, já existiu entre nós algum contato, mesmo que tenha sido por intermédio de outros amigos ou conhecidos. Sou, praticamente, nascido na Parada Inglesa. Eu digo praticamente porque me mudei para lá, ou me mudaram para lá, quando eu era ainda bebezinho. Tinha apenas dois aninhos de idade. Hoje estou para completar 70 anos. Fui batizado pelo Padre Júlio (Pe. Júlio Martins Serra) naquela igrejinha lá em cima do morro. Ele batizou também minhas três filhas. Só que a igreja já era na Av. Ataliba Leonel (se não me engano, na esquina da Rua Sílvio Rodine).<br><br>Foi ali também, ao lado da Igrejinha, no Grupo Escolar Frei Galvão, que tirei o meu primeiro diploma. Terminei o curso primário. O diretor era o Sr. Wilson, marido da minha primeira professora, Dona Egrantina. Eles, na época, moravam bem em frente ao Bazar Santa Inês, cujo dono, se não me falha a memória, era o Sr. Guilherme. Ali, a gente comprava sempre alguma coisinha para a escola. Um Lápis… Uma borracha… Um mata-borrão (lembram?). Além da Dona Egrantina, mulher do diretor, estudei também com Dona Elza… Dona Branca (brava!), Dona Erne (também brava!). No momento não estou conseguindo me lembrar dos nomes das outras, mas consigo, perfeitamente, visualizar seus rostos.<br><br>Lembro-me de muitos colegas de classe, mas dos nomes me lembro de muito poucos. Lembro-me muito bem da "Lojinha do Seu Cruz", que ficava quase em frente a "Alfaiataria do Fininho" (ele era bem magrinho mesmo!). Que depois passou a ser do Moryama (José Moryama). “Eita” japonês para gostar de um jogo! Era qualquer jogo: sinuca… baralho… Até jogo de damas. O japonês ficou uns tempinhos naquele salão, depois passou para aquela ruazinha sem saída, esquina do Bar do Herminio. Foi ser vizinho do Salão de Barbearia do Laerte.<br><br>O Laerte deve ser um pouco mais novo do que eu. Lembro-me que ele aprendeu a profissão de barbeiro com o "Seu Chico", cujo salão era ali, quase vizinho da "Farmácia do Seu Mário". Em frente ao bar do Hermínio morava a família da noiva do Djalma Santos, com quem, depois da Copa de 1958, ele se casou. Um dos irmãos dela, um cara super gozador, mas muito gente fina, era o Luiz. Não sei onde foi parar depois que ali foi construída a Av. Dumont Villares. Eu tive o prazer de um dia, depois da Copa de 1962, participar de uma parceirada de sinuca. Eu e o João (irmão de criação do Luiz) contra o Djalma Santos e o seu cunhado Luiz. Confesso que a emoção de estar jogando com um campeão mundial de futebol me fez perder a sinuca. Mas valeu. <br><br>Ali no bar do Hermínio perdi muito tempo da minha vida. Passava ali os finais de semana todinhos, quando deveria estar fazendo algo mais proveitoso. Ali jogávamos o jogo de "21" na sinuca e jogo de "vida" ou até “parceirada” valendo cerveja. Lembro-me de nomes de alguns amigos que frequentavam o bar do Hermínio: "Migué Português", "Casadinho", "Moryama" o alfaiate, "Laerte", o barbeiro, "Jucada e Moysés”, irmãos do Guelo. Eles tinham outro irmão que também frequentava o salão, mas não me lembro agora o nome (está na pontinha da língua!). Entrou na PM e deu uma sumidinha. Nunca mais vi. Tinha também o "Geninho"… o "Gimba", o "Acácio", o "Arnaldo" (irmão do Migué Português). Frequente muito, também, o "Bar do Rui", em frente a sede do Parada Inglesa, onde todos os finais de semana tinha baile. Nesse bar houve aquele incidente: O Jorge, irmão do Rui, na defesa do pai, em uma briga, acabou dando um tiro e matando instantaneamente nosso amigo Walter, marido da Deusa, irmão do "tiquinho" e outros que não me lembro dos nomes. <br><br>Meu nome é José Barea. Conhecido por "Bareia". Fui amigo de infância do Adauto, o Sabiá, filho do "João da Lice" e da Dona Alice, uma senhora sofredora. Era portadora de paralisia infantil, mas não descuidava dos filhos. Mas mesmo assim perdeu um filho (mais novo do que o Sabiá) afogado na represa de Mairiporã. Moravam ali na Prof. Marcondes. Professor Marcondes tinha o Bar que eu frequentei muito… Lá também perdi muito tempo da minha vida. O "Bar do Baba" não fechava, enquanto o último freguês não saísse por conta própria. A noite todinha era jogatina. Frequentavam ali: "Migué turco", "Migué Português", "Cauby" (meu cunhado), o "Gordo", o "Pelado", o "Celsão", irmão do Paulão (moravam ali onde agora é uma escola Adventista).<br><br>Eu não moro mais lá. Mas há uns 40 dias, visitando minha família, estive dando umas voltinhas por ali. Que tristeza! Quase não achei mais ninguém da época. Fui até o bar que era do "Zezinho", na Dumont Villares… Nada! Dei uma passadinha no "Bar do Guelo"… Só desconhecidos! Passei pela casa onde morou o "Gimba". Construíram ali um enorme prédio. Mas aquele morro, onde tanto brinquei na minha infância, ainda estava do mesmo jeitinho. Que saudade! Saudades das peladas naquele “larguinho”… Onde será que estão aqueles meus amiguinhos de infância? Quem será que ainda está vivo? Como eu queria encontrar aquela hora um deles para a gente recordar os belos tempos!<br><br>Não posso deixar de mencionar aqui de um amigo que tanto marcou a minha vida! Sem desmerecer os outros, mas o "Alemão" (Luiz Gonga Tonetto) foi o maior amigo que eu tive em toda a minha vida! Hoje ele está adoentado, mas eu, em todas as minhas preces, não deixo de suplicar a Deus que “Dê de volta a saúde do Alemão”. Ele não merece esse sofrimento. Eu ficaria aqui durante meses, se fosse falar de todos os meus amigos da Parada Inglesa. Mas… Em um outro dia, quem sabe continuo… Como eu já disse, conheci na Parada Inglesa muitos Marcos. Não tenho como saber quem é esse "Marcão" que escreveu essas coisas tão lindas sobre a Parada Inglesa. Coisas que eu li… reli… e não me cansei de ler. E quando terminei a leitura, senti que uma lágrima tinha molhado o meu rosto… Muito Obrigado Marcão!<br><br><br>E-mail: [email protected]