Minha infância no Ipiranga

Apesar de ter nascido em 1953 na Alameda dos Maracatins, próximo ao atual Shopping Ibirapuera, a fase que marcou minha infância sem dúvida foi no Ipiranga, onde meu pai, um espanhol que chegou ao Brasil em 1913, tinha uma loja de eletrodomésticos na Rua Silva Bueno, que depois se transformou numa pequena fábrica de rádios.
Para lá nos mudamos em 1960. Minha quadra era uma verdadeira torre de Babel. A começar por uma padaria de portugueses na esquina, depois uma loja de tecidos dos Hadad, onde o filho Rubens era meu amigo, a sapataria do Frederico, uma mercearia de outro português, uma loja de roupas do Israelita, Sr.Leon Carmona com suas filhas Miriam e Marcia, uma loja de calçados de um armênio, o açougue do meu querido amigo Salvador Marcos Pelegrini, hoje empresário próspero no ramo de veículos, a barbearia do Sr. Américo italiano, onde eu cortava o cabelo americano, a loja de brinquedos do Sr. Gilberto Geviane, onde lembro-me, eu estava em 63 quando o presidente Kennedy foi assassinado. Tinha até um eletricista russo, cujo filho de nome Stalin, brincava comigo às vezes. Do outro lado da rua, uma Ótica de holandeses, a Foto Landa onde fiz as fotos de minha primeira comunhão e mais loja de tecidos de outra família de árabes. Era uma amostra do que era São Paulo na década de 60.
Na época, passava bonde elétrico na rua, que era revestida de paralelepípedos e eu tinha poucas opções de lazer.
Lá vivi até 1964 quando mudamos para uma casa própria que meu pai tinha na Rua Lord Cockrane, onde passei minha adolescência até me casar em 1979.

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