Minha história na Avenida Higienópolis

Nasci nas Alterosas de MG, morei desde menina no norte Paraná. Cheguei a São Paulo com quinze anos de idade. De cara me apaixonei pela capital da garoa. Morei e ainda moro na Freguesia do Ó, um dos bairros mais velhos de São Paulo. Aprendi por necessidade os caminhos que me levavam à Av Higienópolis. Ficava encantado com o vaivém dos carros, trânsito carregado, ônibus superlotados, barulhos e fumaça de muitas fábricas. Diante da inocência e pobreza por qual fui criada tudo isto era um verdadeiro espetáculo. Um pouco mais adiante Lapa, Rua Clélia, Av. Francisco Matarrazo, Santa Cecília, mais adiante Av. São João com seus lindos e românticos bondes contrastando com a correria da grande cidade, eu voltava a respirar. Minha admiração crescia a cada instante, era como um filme de longa metragem, ora sereno, ora quase atropelado e até mesmo cômico. Vamos voltar à Av. Higienópolis, uma das minhas preferidas daquela época. Passavam por ali homens e mulheres bem vestidos, eles de terno e de sobretudo, para escapar do frio, e elas de saias rodadas abaixo dos joelhos. Lindos casacos de lã, cabelos com laquês bem armados. A maioria delas com cintos largos ressaltando ainda mais suas cinturas finas. Bicicletas com bagageiro com pessoas que hoje são chamadas de mensageiros. Era raro ver motos com este tipo de serviço, a não ser alguns filhinhos de papai metidos a besta. A Av. Higienópolis era um verdadeiro sonho de consumo. Tanto por seus arranha-céus, conjuntos residenciais, pessoas de alto padrão financeiro, madames andando por ruas com seus cachorrinhos de estimação, carros chiquerrímos. Novidades não me faltavam nesta linda Avenida Higienópolis. Um dia vi meninas da minha idade com lindos uniformes azuis, cabelos feito rabo de cavalo ou de Maria-chiquinha, voltando do colégio todas paparicadas por rapazes também estudantes. A Av. Higienópolis, imponente, fazia questão de mostrar a mim sua exuberância e suas diferenças sociais. Quarenta e um anos passaram e a simpática avenida mudou muito. Hoje quando por ela passo, grandes lembranças tomam conta de mim e é como fosse minha primeira vez, só com uma diferença, não vejo mais aquelas grandes diferenças sociais, todo mundo que por ali circula é apenas mais um na multidão. Quem será que mudou? Eu ou a própria Av. Higienópolis?

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