Foi assim: como de sopetão, fomos morar na Mooca. A casa era um casarão antigo que era um depósito de vidros da Distribuidora de Vidros Brasil, que era de um português muito simpático, Sr. Gonçalves, patrão do meu pai… Como ele precisava de alguém para vigia noturno, ofereceu parte da casa para meu pai morar; a outra parte ele alugava para um escritório de contabilidade.
A casa era na Juvenal Parada, o número, se não me engano, era 147… Eu adorava aquela casa, janelas e portas altas, quatro metros de pé direito, bem ventilada e uma escada que dava para uma sacada enorme de onde se avistava a Sé… À noite ficávamos apreciando as luzes da cidade e as estrelas no céu.
Naquela época, eu trabalhava no Ipiranga, Cia Ultragaz, e descia a pé até a estação da Moóca, para pegar o trem com destino ao Ipiranga. Lá descendo, ia a pé pela Presidente Wilson até ao DPI da Ultragaz… O ano, 1965.
Era muito cansativo, mas nem prestava atenção… O importante era no fim do dia voltar para minha adorável casa, naquele bairro que me fez um pouco mais feliz.
Aos sábados, descia a Rua da Moóca para fazer compras e passear no comércio. Aos domingos, eu ia passear com meu namorado (depois meu marido) no Parque da Moóca.
Ah! Que saudade da minha casa… Será que ela ainda existe?
Escrevi este texto porque alguém disse que se fala muito pouco da Moóca. Minha paixão é o antigo Braz, mas tem lugar no meu coração também para a Moóca.
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