Minha garota moderna

Estava sinceramente
tentando relembrar
aquela tarde distante
de domingo, de 1965,
que fui ver a Fenit
no Parque do Ibirapuera
em São Paulo.
Fui de táxi, acho.
Afinal tinha 15 anos.
Acho mesmo que
naquela altura da vida
eu estava usando
minha calça Lee,
as botas pretas
e aquela capa
cinza do nonno
que eu tingi
na cor preta.

O que mais me marcou
foi o desfile da Rhodia
onde desfilou
a minha coleguinha
do primário
da Caetano de Campos,
a Débora Duarte.
Parece que até consigo
ouvir aquela música
que o Wilson Simonal
cantava enquanto ela
flutuava na passarela
com uma roupa
toda soltinha,
cabelos longos
balançando,
balançando,
descalça…

"Tão bonita
que ela é,
cabelos lindos
como eu nunca vi,
camisa esporte
sobre a calça Lee,
um ar esnobe
de quem nada quer,
lá vai ela e pensa
que é mulher,
cigarrinho aceso
em sua mão
toca moderninho
um violão
diz que o amor é coisa
que não quer,
lá vai ela e pensa
que é mulher."

Será mesmo que foi
assim que aconteceu
naquela tarde de domingo
ou será que a minha
traidora imaginação
que está exagerando.
Pelo bem ou pelo mal,
pesquisei na internet,
encontrando:
"Em 1965 foi realizado
pela primeira
vez um espetáculo
importante na Fenit,
o show desfile Brazilian Look.
Era um show
com Wilson Simonal
e com a presença de Débora Duarte
no stand da Rhodia."

Achei também:
"Simonal em um depoimento,
em um programa de televisão,
lembra do início de carreira,
o contrato dele com a Rhodia,
de cantar nos antigos
desfiles no Ibirapuera."
Depois entrei em um blog
sobre a Débora onde
entre muitas fotos tinha uma
foto dela de cabelo preso
com um vestido bem decotado,
que eu podia jurar
ser o vestido do desfile
de quase cinquenta anos passados.
Enfim ela será sempre
minha garota moderna.
Pedro, “se non è vero è ben trovato”.

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