Nasci na Maternidade São Paulo em 1956 e meus pais já haviam comprado uma casa (em 1954) na Rua dos Democratas, que anteriormente havia sido chácara da Família Fagundes Filho. Tive uma infância maravilhosa e conhecíamos pessoas das imediações da Igreja São Judas até a Vila Guarani, onde estudava no Grupo Escolar Cel. Domingos Quirino Ferreira.
Aliás, ali tive ótimos professores, como Dna Paulina na 4a. série; uma senhorinha enérgica e muito dedicada aos alunos.
No grande quintal da minha casa convivi com patos, galinhas, tartaruga, coelhos e 14 cães. Todos tinham um local próprio, separados por telas onde eu e meus quatro irmãos podíamos alimentá-los.
No quintal superior, situado nos fundos da casa, empinávamos capucheta e tínhamos como vista as chácaras dos portugueses que plantavam e vendiam para a vizinhança, minha escola, a Igreja São João Batista e o Parque Infantil que freqüentamos usando os tradicionais shorts vermelho.
Muitas famílias italianas também construíram suas casas nas redondezas, com muita dificuldade e como não tinham energia elétrica, meu pai (pastor evangélico muito amoroso) fornecia a eles a energia para iluminar suas casas.
Eu e meus irmãos fabricávamos nosso próprio carrinho de rolemã e deslanchávamos com ele a ladeira da rua dos democratas, deixando os vizinhos em polvorosa.
Na parte baixa onde hoje é a Avenida dos Bandeirantes passava um córrego e para atravessá-lo passávamos por uma pinguela, que nos dias de forte chuva era totalmente destruída, alagando várias chácaras.
Durante o Golpe Militar de 1964, me lembro de ficar na fila para conseguir comprar carne, uma bengala de pão ou um litro de leite (que era vendido em embalagem de vidro). Foi uma infância maravilhosa e pena que a nossa casa foi demolida para ceder lugar ao canteiro da Av. dos Bandeirantes.
e-mail da autora: [email protected]