Meus saudosos mestres

Meu primeiro contato com a escola, foi aos sete anos, quando meus pais me matricularam no Liceu Antoninho Rocha Marmo, onde cursei o primeiro ano primário. Minha professora se chamava Meire, era muito paciente e querida e está guardada em meu coração. Os anos seguintes do ensino fundamental I (antigo primário) cursei no Grupo Escolar Professor Pedro Voss, aí me diplomei. Nos anos 50, recebia-se diploma no final do curso primário, com direito a festa na entrega do mesmo, o diretor fazia um belo discurso, nós cantávamos em coro e todos ficavam emocionados.<br><br>A admissão ao ginásio eu fiz no colégio Nossa Senhora do Rosário e mais tarde do ginasial ao normal no Instituto de Educação Brasilio Machado.<br><br>Minha vida estudantil foi proveitosa e rica, não só pelo conteúdo aprendido, mas principalmente pelos mestres que ministraram esses conteudos. Começando pela senhora Meire, que pegava em nossas mãos e nos ajudava a traçar as primeiras letrinhas. A senhora Marilia, tão jovem e amiga no meu segundo ano, as senhoras Adele e Dalva foram as inesquecíveis encaminhadoras no terceiro e no quarto anos de vida escolar. Na admissão, foi também maravilhosa a Irmã Maria da Redenção, orientadora educacional e professora; até mesmo a madre Leoní tão severa nas suas aulas que nos faziam tremer, mas eficiente também.<br><br>Professor Lima, que lecionava francês e era uma doçura, a senhora Graciosa e seus teoremas, com ela perdi o medo da matemática. Ainda encontro o professor Sérgio na Praça da Árvore, tomando seu cafezinho, sempre com o mesmo sorriso afetuoso para seus ex-alunos.<br><br>O professor Amilcar, de Português, parece-me que já não se encontra entre nós. Exigente nos trabalhos de pesquisa, como o que meu grupo apresentou no segundo ano normal: ¨Poetas Parnasianos¨, e que nos deu a oportunidade de conhecer um pouco desses poetas e suas poesias.<br><br>Lembro-me de que no último ano do curso Normal ele costumava dividir as classes em grupos para que cada um deles, no final do ano letivo, apresentasse uma peça infantil no próprio teatro do colégio. Foram tantas as apresentações: Pinochio, A bruxinha que era boa, O sonho de Karina, Pluft o fantasminha e tantas outras. Tinhamos que montar cenários, confeccionar figurinos e principalmente reescrever ou adaptar os roteiros, além de encenar a peça, é claro.<br><br>Apesar da trabalheira, o resultado era gratificante e nunca nenhum grupo tirou nota menor do que dez.<br><br>Deixei para o final, uma referencia especial a uma professora de nome Anita, que lecionava canto orfeonico; matéria que nos deixava de cabelos em pé por causa dos ditados ritmicos, solfejos e afinação. Mas foi graças a ela que os alunos de nossa, junto com estudantes de outras unidades estaduais, em um sete de setembro formaram um imenso coral que lotou o Pacaembú para a apresentação de uma bela obra do maestro e compositor Villa Lobos. Foi simplesmente inesquecivel. <br><br>Abençoados sejam todos vocês, professores amados e amigos, até os mais sisudos e severos, que trabalharam e trabalham tanto pela educação. É com respeito e carinho que beijo suas mãos.<br><br><br>E-mail: [email protected]<br>