Meus padrinhos João Manfrinato e Fiica

Uma característica marcante deste site SPMC é que histórias "puxam" outras histórias, como a do Abílio Macedo sobre a água das cervejas. Meus padrinhos de crisma tiveram presentes em minha mente, o casal João Manfrinato e sua esposa Fiica. Todos de casa o chamavam de "João da Brahma".

A razão disso parece óbvia, uma vez que trabalhava na fábrica famosa no alto da ladeira no bairro do Paraíso. Muito alto, magro e reservado era só reunir as famílias que ele ficava à vontade contando histórias, piadas e o melhor de tudo era um bom jogador, no sentido de que aceitava brincadeiras com muito bom humor. Nossas famílias se conheciam há quase 20 anos e para nós, a molecada de calças curtas e suspensórios, ninguém convencia que não éramos todos da mesma família. E era deste modo, as amizades eram tão duradouras e francas que não conhecíamos limites entre quem era parente e quem não era.

Reuniões muito frequentes de todos a comemorar aniversários ou mesmo para se ver e colocar o papo em dia. Parece-me que hoje não temos mais tempo para isso…

Tinham duas filhas, Ivone e Neide. Esta última se casou com um jornalista de sobrenome Zero. Mas o que mais animava os encontros era que, cada um que chegava, já ia gritando à moda italiana:
– "João, tem uma Antarctica estupidamente gelada aí?"

Ele que já havia enfrentado a "saia-justa" em ocasiões anteriores, e precavido que era, ia tranquilamente até a geladeira e voltava com um sorriso satisfeito no rosto, e colocava a garrafa e os copos sobre a mesa. Tinha também os mais ranhetas que iam pedindo uma Brahma da Antarctica, essa mania é mais velha do que pensamos.

Amigos de longa data e de grande convivência. Muitos haviam sido vizinhos em cidade do interior e se reencontravam mais tarde na capital. Muitas lembranças agradáveis, como dos irmãos Elizaldo e Hélio Pozzetti que foram passar seus últimos anos em Auriflama e na capital eram como irmãos-primos de meu pai e tios. Em um outro tempo, um ritmo diferente e relações muito mais calorosas.

Uma criança deste século 21, talvez encare como seu "parente", o game predileto, o celular “multicoisas” ou o notebook. Não é crítica de minha parte, apenas desalento!

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