Que pensamento extraordinário. Sem perceber encontrei-me à frente da banca de jornal existente no Largo da Pompeia, na década de 40, onde via, ali reunidos, muitos dos moleques do bairro onde eu morava comprando os gibis expostos na gôndola do jornaleiro. Tinha eu no bolso da calça alguns níqueis de centavos de mil réis, ganhos com o trabalho de gandula de bola de tênis no Palestra Itália.
Minha infância quase toda vivida em Vila Pompeia, costumava encher os meus pensamentos infantis com histórias extraídas dos gibis onde diversos personagens acompanhavam-me na leitura quase que obrigatória dos desenhos em quadrinhos, como Homem-aranha, Capitão América, Homem-borracha, Batman e Robin, Mandrake, Homem-submarino, quase todos produzidos por autores americanos, cujos personagens apareceram pela primeira vez no gibi lançado no Brasil em fevereiro de 1943, durante o transcorrer da Segunda Grande Guerra Mundial, época de ouro das revistas em quadrinhos, como as histórias que envolvem uma fantasia de uma criança como eu e tantos outros de minha idade.
O Capitão Marvel que nada mais era do que o alterego de Bylly Batson, um jovem que trabalhava como repórter de rádio e foi escolhido, devido a sua bondade interior, para receber os poderes mágicos do "Mago Shazam", a fim de preservar a justiça e a paz no Universo. Sempre que Billy grita o nome "Shazam", ele é instantaneamente atingido por um raio mágico que o transforma em um super-herói adulto com poderes sobre-humanos e vice-versa, uma vez que o personagem pode voltar na mesma forma de antes.
Os poderes do Capitão Marvel são oriundos de seis heróis lendários que lhe concedem tais características, sendo eles, Salomão, onde a sabedoria se reflete na forma de conselhos que o Capitão Marvel ouve dentro de sua mente. Este aspecto também permite traduzir línguas perdidas, como hieróglifos. Com a sabedoria de Salomão, o Capitão Marvel também podia construir coisas tal como uma nave espacial ou o mineral de "Marvelium", (risos) produto produzido em um asteróide perdido na galáxia. Tendo ele também a força de Hércules, confere ao personagem uma das maiores e mais extensas forças físicas. Com ela, o Capitão Marvel consegue erguer pesos de centenas de milhões de toneladas. O grande vigor de Atlas concede a invulnerabilidade ao corpo de nosso herói, e uma tremenda resistência a venenos e a capacidade de poder sobreviver ao vácuo do espaço.
Ao pronunciar a palavra "Shazam", ele pode conjurar um relâmpago mágico de Zeus a fim de mudar de Bill Batson para o Capitão Marvel e vice-versa. Este relâmpago não lhe causa dano algum, embora seus oponentes que estejam no raio de ação do mesmo, podem ser feridos. Também já foi mostrado que ele pode fazer pequenas alterações em sua aparência por usar o poder de Zeus; certa vez, a fim de poder abrir uma conta no banco, ele se disfarçou como seu pai, usando seus poderes. A coragem de Aquiles permite a ele encarar os piores vilões e perigos imaginados sem medo algum.
Em Mercúrio, o Capitão Marvel buscava desafiar a gravidade e literalmente voar. De Mercúrio permitia ao herói correr a grande velocidade, fazer ações rapidamente e enxergar o mundo como se estivesse em câmera lenta, permitindo que ele possa pegar projéteis de alta rapidez como balas; ele herdou de Aquiles a coragem extrema e de Mercúrio, a agilidade e a grande capacidade de voo. Além do mais, tinha também, vários amigos e membros da família, como a Mary Marvel e o Capitão Marvel Jr. que podiam compartilhar com Bill seus poderes e tornarem-se "Marveis" eles próprios. O Capitão Marvel é designado pelos próprios deuses que o cercam, que lhe concedem poderes como o "Campeão da Humanidade".
Agora revemos outro herói da minha infância: "O Homem-borracha", devido ao acidente industrial no qual ele caiu em um tanque com químicas misteriosas que entraram em sua corrente sanguínea através de uma ferida de bala. O "Homem-borracha" tem vários poderes, como: fisiologia maleável, um fluido humano, nem completamente líquido ou sólido. Ele tem o controle completo sobre sua estrutura molecular, a maleabilidade, elasticidade e a plasticidade: Ele pode esticar seus membros e seu corpo em vários comprimentos e tamanhos. Não há limite conhecido para o quanto que ele pode esticar seu corpo. Alteração de tamanho: Ele pode encolher-se a alguns centímetros de altura, colocado em um dos bolsos do cinto de utilidades do Batman, ou pode crescer vários metros e tornar-se um titã do tamanho de um arranha-céu.
Outro herói, "O Homem-aranha", é um personagem fictício que fazia mais sucesso. É um dos mais importantes e populares super-heróis das histórias em quadrinhos. Suas revistas eram as mais vendidas do gênero no mundo dos gibis.
Já o "Capitão América" foi o maior de uma onda de super-heróis que surgiram sob a bandeira do patriotismo norte-americano e que foram apresentados ao mundo pelas companhias de Histórias em Quadrinhos, durante os anos da Segunda Grande Guerra Mundial. Ao lado de seu parceiro Bucky, o Capitão América enfrentou as hordas nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, mas caiu na obscuridade após o fim do conflito.
Outro personagem do meu mundo infantil era o "Namor Príncipe Submarino" suas origens estão relacionadas à lendária Atlântida. Namor é filho da princesa "Fen", herdeira direta do trono de Atlântida e filha do Imperador Thakor, e do marinheiro norte-americano Leonard McKenzie. A espécie fictícia humanóide a qual Namor pertence, é chamada de "Homo Mermanus", isto é, meio homem, meio peixe. A mãe de Namor parecia-se com os seres da superfície, e por isso acabou se envolvendo com eles. Já os demais conterrâneos de Namor possuem a pele azulada.
Já no mundo fictício de super-heróis de meninice o "Batman" também povoava a minha cabeça, e tinha como identidade secreta seu alterego Bruce Wayne, empresário, bilionário e filantropo. Segundo os quadrinhos, o fato de testemunhar o assassinato de seus pais, quando criança, teria levado o jovem Bruce Wayne a viajar pelo mundo tentando compreender a mente criminosa. Treinou todo tipo de artes marciais e técnicas de combate. O trauma de ver seus pais mortos com tiros de revólver tornou-o averso a armas de fogo, buscando a perfeição física e intelectual. Criou um uniforme baseado na figura que o amedrontava quando criança: o "morcego". Ele queria que os bandidos compartilhassem do mesmo temor. E assim, passou a lutar contra o crime. Diferentemente de outros super-heróis, Batman não tem nenhum poder sobre-humano, usando apenas o intelecto, habilidades investigatórias, tecnologia, dinheiro e um físico bem-preparado em sua guerra contra o crime.
Já o "Mandrake" era um herói ilusionista que se valia de uma impossível técnica de hipnose instantânea, aplicada com os olhos e gestos das mãos, e de poderes telepatas. Quando o narrador informava que ele executava seu gesto hipnótico, a arma do vilão se transformava em um buquê de rosas ou em uma pomba. O personagem foi baseado em "Leon Mandrake", um mágico que fazia performances no teatro pelos anos 20, usando uma cartola, capa de seda escarlate e um fino bigode. O desenhista Davis conheceu Leon, relacionando-se com ele por muitos anos.
Eis ai alguns dos heróis dos gibis que fizeram parte do sonho da minha infância e de tantos outros meninos da minha idade, durante os conturbados anos da década de 40, em pleno desenvolvimento da trágica Segunda Grande Guerra Mundial. Portanto, recordações dos personagens dos antigos gibis, que faziam parte da nossa imaginação infantil.