“Croc, croc”! Toda manhã ele me saúda, com seu conhecido piado. Retribuo estalando a boca, é minha forma de chamá-lo e estimulá-lo a descer. E lá vem o Plínio. Voa do muro confiante, passa para o galho mais próximo do ipê e espera que eu troque o pratinho de frutas, na árvore. É um velho amigo. Escrevi sobre ele há três anos. Mal viro as costas, já está tomando seu desjejum.
"Plínio, o Jovem", como o apelidou minha esposa, quando ainda pequeno e pouco emplumado sabiá, vinha com a mãe ao mesmo ipê, para por ela ser alimentado. Creio que seja o mesmo, com o desembaraço que espera, toda manhã, o meu aparecimento. Segundo soube por meu filho, os sabiás vivem muitos anos, às vezes mais de vinte. Então, aqui está nosso querido Plínio.
Comecei com "Meu" sabiá. É verdade que, infelizmente, pessoas ignorantes mantêm esses bichinhos em gaiola para ouvir seu belo canto. Que deve ser de tristeza, pois só se fazem ouvir na época da reprodução, na primavera.
O "meu", não. É absolutamente livre, livre, como dizem, como um pássaro! E nem posso chamá-lo de meu. Provavelmente, eu sou mais dele que ele de mim. Eu sou dele, e dele é todo o Reino dos Céus, todo o espaço e a exuberante natureza. Sou um pobre bicho da Terra, desajeitado, de movimentos limitados, preso pelas pesadas pernas ao chão, enquanto seus limites são ditados pela força de suas asas.
É uma grande honra sua preferência pela nossa casa, e particularmente pelo jardinzinho, onde aprendeu a exercitar seu vôo e seu direito à liberdade, da qual todo pássaro deveria gozar. Outras aves vêm nos ver, mas nenhum com tanta familiaridade.
O Brooklin é vasto, tem a Hípica, donde saem revoadas de outros pássaros, araras sobrevoam nossa casa. Muitas de suas ruas são, felizmente, arborizadas; tem boas praças, duas delas pertinho da paróquia de São João de Brito.
Um sacolão bem próximo, na Av. José dos Santos, coloca frutas para as aves nos seus muros, mas Plínio continua nosso freguês.
Afinal, ele é da casa, mesmo!
Que Plínio, agora não tão "Jovem", viva muito mesmo, e continue a visitar todas as manhãs a nós, que somos apenas humanos.
O jardinzinho jamais seria o mesmo, sem ele. Até amanhã, caro amigo!
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