Ele chegou para trabalhar conosco em nosso departamento em meados de 63. Como dizem hoje em dia, caiu de paraquedas. Ele era o José Aparecido Fava Gimenez. Todo extrovertido, impecavelmente vestido em seu terno de casimira inglesa, camisa de gola italiana bico de pato e sapato de cromo alemão. Para um simples bancário considerávamos um exagero, mas era a sua maneira de se vestir. Eu, pelo contrário, vestia um terno comprado pela minha mãe à prestação, nas Lojas Ducal lá do Brás, e aquela famosa camisa "volta ao mundo" que, por sinal, transpirávamos tanto, até mesmo naqueles invernos mais rigorosos dos anos 60.
Não gostava de andar de gravata que era obrigatório para todos os bancários. Terminado o expediente já arrancava a bendita e colocava na gaveta. Só tinha uma e com o nó pronto para usar no dia seguinte. De tanto tira e põe, ao passar pela cabeça, impregnava com o óleo da brilhantina que usávamos na época, a famosa "Glostora". A maioria dos funcionários também fazia o mesmo e era conhecida como "a gravata ensebada". Af, que nojo!
Aos poucos, ele foi me ensinando a cuidar um pouco mais do meu visual, afinal, eu era o seu chefe. Passei a comprar tecidos de tropical inglês e a fazer meus ternos sobre medida. As camisas também seguiram a mesma linha, com as famosas golas inglesa e italiana feitas na Galeria Barão, lá da Av. Barão de Itapetininga. Para os ternos ele me levou no seu alfaiate, na Vila Mariana, que era um japonês Sr. Shimada. O paletó seguiu os clássicos da época que era aquele jaquetão conhecido como "caravele". Para o sapato não dei muita atenção, em razão do preço para se ter um cromo alemão. Continuei usando o meu velho sapato amazonas de solado vulcabras que não acabava nunca. Podia estourar em cima, mas o solado sempre novo. Durava uma eternidade, até que você enjoava dele e jogava fora.
Almoçávamos no próprio prédio que ficava no 10º andar, lá na Av. XV de Novembro. “Hoje vou te levar para tomar um lanche”, disse ele em uma quarta-feira, acrescentando: “não sei como você não enjoa dessa comida”. Fomos comer em uma lanchonete que ficava na Rua São Bento, perto do nosso trabalho, chamada "Doce Waly". “Eu vou pedir o lanche e você depois vai dizer se gostou ou não”, e para minha surpresa pediu: “Veja-me aí dois X-Salada com maionese e duas cocas”.
Confesso que foi pela primeira vez que conheci o famoso hambúrguer e fiquei admirado com o nome dado ao lanche, afinal, conhecia somente o Bauru e o Queijo quente. Finalizando, passei a levar alguns colegas lá do Tatuapé nessa lanchonete e pedindo os famosos: X-Burguer, X-Tudo, X-maionese, X-Salada, sendo admirado por eles com esse meu conhecimento gastronômico que, por sinal, mal sabem eles que aprendi com o meu colega professor José Aparecido Fava Gimenez.
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