Meu primeiro emprego em São Paulo

Nasci em São Manuel – SP e aos sete anos de idade meus pais mudaram-se para a capital, para facilitar nossos estudos. Em 1967, aos 14 anos, arranjei meu primeiro emprego de carteira assinada em um escritório, de uma empresa que trabalhava com revestimentos e pisos cerâmicos, na Praça da República, Edifício Santa Mônica. 
 
Sentia-me como um pássaro que aprendeu a voar, tamanha era a alegria deste trabalho. A cada saída para rua, quando meu chefe distribuía meus serviços, que compreendia em ir ao correio central na Praça do Correio, em despachar as correspondências, passando pelo Banco do Brasil a Rua São Bento, para um depósito ou pegar as correspondências na caixa interna da firma, era uma festa, pois toda aquela movimentação de pessoas, aquele vai e vem, lojas e suas belas balconistas, as propagandas, as novidades, os bilheteiros gritando pelas vendas dos seus bilhetes, era algo novo para mim, um mundo encantado se descortinando a cada novo dia. 
 
Subindo a Rua São Bento e chegando a Praça do Patriarca, seguia já a passos mais rápidos, para compensar a demora admirando as vitrines coloridas, evitando a chamada do chefe pela demora. Mas seguindo adiante pelo Viaduto do Chá, chegando ao Teatro Municipal com sua fachada toda imponente, em frente ao antigo Mappin, optava em passar pela Rua Xavier de Toledo, ao invés de seguir pela Barão de Itapetininga, para tomar um pingado e comer um pão com manteiga na Leiteria Americana, que era dos deuses, para depois, novamente, apertar o passo chegando ao Cine Coral, olhar e admirar pela centésima vez o cartaz do filme “O dólar Furado”, com Montgomery Wood (Giuliano Gemma), proibido à época, para menores de 16 anos! 
 
Nesta época, anos 60 e 70, esta região de São Paulo era um mundo à parte, onde a cada dia era uma nova aventura, de cores, descobertas, aprendizado, não havia tantos assaltos, drogas, moradores de rua, lixo, havia mais respeito e amor das pessoas aos seus semelhantes. Enfim, foi um tempo mágico, de quem viveu e conheceu esta São Paulo da Cinelândia, um tempo feliz, que não existe mais, que infelizmente o tempo levou!
 
Ficou a saudade em nossas lembranças!