Eu tenho certeza de que cada paulistano tem o seu oásis para poder continuar amando esta cidade nos momentos em que ela nos estranha e nos agride com tudo a que tem direito. O meu fica encravado entre vias de grande movimento: a Rua Turiaçu e as avenidas Pompéia, Francisco Matarazzo, Antártica e Sumaré. É nesse pequeno espaço que, entre árvores, flores, pássaros, eu me encontro todos os dias (exceto às segundas feiras), com os maravilhosos amigos da velhice*.
Na primeira hora, vamos realizar "violentos" exercícios para manter a nossa saúde: caminhada, hidroginástica, yoga, alongamento, etc. Prefiro nadar e lá vou eu para 500 m na piscina olímpica. Nas outras raias passam "peixes voadores", espirrando água para todos os lados. Eu não! Quero abraçar a água e quero que ela me abrace, desfrutando assim esse grande prazer que o meu oásis oferece.
Depois, a parte mais importante: a papoterapia e a risoterapia na lanchonete, onde às sextas-feiras fazemos nosso happy hour de café com leite e pão de queijo. Às vezes, radicalizamos e comemos pastéis fritos na hora e refrigerante diet. Ah, se nossos médicos soubessem! Mas, é apenas uma pequena travessura de envelhescentes.
E, assim, vou curtindo o meu oásis com aquele grupo que é mais do que um suporte emocional: é uma ajuda efetiva para acrescentar vida aos anos que me restam. Obrigada, Verdão, por oferecer esse cantinho maravilhoso, bonito, sereno, aconchegante, seguro, no centro desta minha querida cidade tão agitada!
(*) É isso mesmo que você leu: eu disse v-e-l-h-i-c-e! Que mania é essa de ficar procurando eufemismos para dourar a pílula, para tapar o sol com a peneira, para usar termos moderninhos? Não estamos mais na idade dessas bobagens politicamente corretas. A César o que é de César! Foi tão difícil chegar até aqui e ainda querem nos tirar o direito de usarmos o termo que somente nos dignifica? Não, não e não!
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