A onda da lambreta já estava terminando, na televisão reinava absoluta Celi Campello e seu irmão Toni. Seu programa de televisão era no canal 7, em São Paulo e uma de suas atrações era Carlos Gonzaga com seu sucesso Bat Materson. Todos precursores da Jovem Guarda.
Naquele tempo, o que havia de mais romântico era ter um carro, ainda que fosse caindo aos pedaços, como se dizia então. Era através dele que os rapazes partiam para as conquistas amorosas que se traduziam em inesquecíveis aventuras.
Nessas andanças muitas coisas aconteciam, entre as quais a mais comum era ficar na rua com um defeito mecânico. UM defeito mecânico? Só para ser bonzinho, na verdade, muitos defeitos mecânicos. Claro, isso porque eu pertencia à ala dos jovens menos afortunados, aqueles que não tinham "bufunfa", hoje conhecida como "grana” ou “dindin".
O filho do Carnevale tinha um fusca zero. O Paulo Gomes tinha um Jaguar. Já o Aldo José, um pouco mais modesto teve um Gordini. Eu, um glorioso Renault Daufine 1960, lamentavelmente mal conservado. Foi tudo que, aos dezoito anos, consegui comprar com meu suado dinheirinho.
A vontade de ter um carro era tanta que, antes do meu Daufine, eu e o Vadinho, filho do saudoso Roberto Arini, fizemos uma vaquinha, e por CR$200,00 (duzentos cruzeiros), compramos um Chevrolet, ano 1939, do Seu Heitor, marido da Dona Mariinha. Quando aparecemos empurrando o traste, para orgulhosamente apresentá-lo ao seu Roberto, o Vadinho levou uns cascudos de seu pai e fomos obrigados a devolver a infeliz aquisição implorando ao vendedor a devolução do dinheiro.
Voltando, porém, ao meu Daufine, foi ele que, para mim, fez tornar inesquecíveis certas personalidades de Santo Amaro. Fiz verdadeiras maratonas pelas oficinas mecânicas do Onofre Palópoli, do Carlinhos funileiro, do Zé Ogeda, sem falar no Pedrinho tapeceiro, o rei dos estofados. Assim também conheci o Ticão dos guinchos, ainda funcionando como Barreiro e as lojas de autopeças da Madalena Maluf, do Ulisses, na Rua Anchieta, e do Raphael Navarro, posteriormente a Cacique Autopeças.
Parece incrível, mas o japonês Tsutumi, vidraceiro de automóveis da Rua Barão do Rio Branco, já existia.
Bons e românticos tempos automobilísticos de outrora.
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