Meu avô x Vila Hamburguesa

Meu pai Carlos, que era agrimensor, no ano de 1948 veio de São Paulo para Nova Odessa – SP medir a fazenda do governo, como se falava na época, hoje conhecida como IZ, Instituto de Zootecnia. Como não tinha nada para fazer na cidade, ele foi à quermesse da igreja católica e aí acabou conhecendo minha mãe Cida.

Bom… Aí que entra meu avô Antonio Carrion, que fez questão de conhecer o moço, bateu um papo, disse que tinha orgulho de falar português sem sotaque (pois seus pais eram espanhóis), meu pai escutou quieto, mais tarde ele ria porque na verdade tinha sotaque sim. Na surdina ele foi falar com o diretor da fazenda, queria saber se o moço era solteiro mesmo, foi confirmada a “solteirice” do meu pai.

Depois de um tempo de namoro, ele e minha avó Gertrudes acharam que era hora de conhecer a família. Prontamente meu pai concordou e foram de trem para São Paulo, o encontro se deu na Rua Tito, na Lapa, residência do meu pai, não só conheceram meus avós, meus tios, primos e também uma irmã de minha avó.

Próximo do casamento, meu pai achou melhor trocar um terreno que tinha na “City Lapa” por uma casa pequena na Vila Hamburguesa, pois não teria condição de construir lá. Quando meu avô soube da compra, veio verificar sozinho como era essa casa, como era a vizinhança, conversou com os vizinhos, andou pelo bairro em busca de mais informações, voltou satisfeito, achou a casa meio pequena (ele que sempre morou de aluguel), mas tudo bem.

No casamento, fez questão de uma festa grande, como realmente foi, pois tenho o vídeo, realizado em 28 de abril 1951. Mas não termina aí. Depois de um mês, ele convoca minha avó a ir para São Paulo verificar como minha mãe estava, voltou falando que estava tudo bem, pouco tempo depois ele foi porque estava com saudades, dias depois veio a falecer no cinema.

No dia que ele faleceu encontrou sua sobrinha Mariazinha, filha de seu irmão Zeico (seus irmãos eram assim apelidados Zeico, Joanico, Paquito), indo de manhã sozinha na estação de trem, isso ele não admitia, uma moça sozinha na estação, fez companhia até o trem chegar.

Atualmente, esse tipo de pai não comporta mais, era outros tempos, outra época, mas será que um pouco deste cuidado não está fazendo falta? Como diz o ditado: nem tanto ao mar, nem tanto à terra.