Metrô Paulistano – Primeiros tempos

Quando a linha norte-sul do metrô começou a ser construída eu morava na Vila Mariana. Para ir até o meu trabalho, no largo do Paissandu, demorava no máximo 45 minutos. Havia diversas linhas de ônibus que me serviam. Quando as obras começaram pra valer, a Domingos de Morais e a Vergueiro, principais artérias em direção ao centro, foram em parte interditadas. Os ônibus precisavam fazer vários desvios pelo Paraíso e Liberdade. Para chegar ao centro levava às vezes 1 hora e meia. À noite, voltando para casa em plena hora do rush, cheguei certa vez a demorar quase 3 horas.
Tempos depois inauguraram o 1º trecho entre a Liberdade e a Vila Mariana. Ainda estava em teste e a passagem era gratuita. Quando viajei pela 1ª vez foi aquela satisfação! Nunca imaginei que um dia fosse conhecer esse tipo de transporte. Quando começaram a cobrar passagem, as catracas não eram eletrônicas. O bilhete era de papelão e era picotado quando inserido na fenda da máquina. Alguém descobriu que se o bilhete fosse inserido ao contrário, a máquina picotava novamente e viajava-se mais uma vez sem pagar. Vi muita gente vasculhando as lixeiras das estações à procura de bilhetes com um único picote. Eu mesmo fazia isso, às vezes. Mas a alegria durou pouco, logo as catracas foram substituídas por outras mais modernas que "engoliam" os bilhetes. Mesmo assim ainda ocorriam falsificações e o sistema teve que ser melhorado ainda mais.
As pessoas sempre davam um jeito de fraudarem os sistemas, desde o tempo dos bondes, quando os cobradores não registravam tudo o que recebiam, e fraudam até hoje por "profissionais" altamente especializados em informática.
Naqueles anos 1970 eu me correspondia com uma garota da Cidade do México. O metrô de lá começou a ser construído na mesma época. Hoje eles têm mais de 200 km e o nosso não chega aos 60 km. Qual o motivo?

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