Menina-moça

Tantas são as reformas ortográficas que já nem sei se continua tendo o hífen ou não. Nem sei se as proparoxítonas e hífen ainda levam acento. Mas fato é que lendo "Colar de Cristal", uma vez mais vieram à tona memórias que eu supunha esquecidas.<br><br>Também ganhei, em 1960, um lindo colar de cristal fosco, na cor verde, com contas redondas e ovaladas, entremeadas por pequena continha caramelo brilhante. Tinha ele três voltas e, de cada uma delas, na parte da frente, surgia uma nova meia-volta. Não era longo e, em seu fecho, incrustadas oito pequenas pedras. Ficava pouco abaixo do pescoço. Minha irmã usava num fim de semana e eu no outro.<br><br>Comprado na Casa Slopper, foi me presenteado por um amigo da família, Sr. Lúcio de Almeida Lopes, juiz classista que fora anteriormente sócio do Sr. Santos Diniz na Brigadeiro Luiz Antonio, e achou por bem abrir mão de sua parte, pois reconhecia no segundo um maior merecedor.<br><br>Sr. Lúcio, uma das pessoas mais íntegras que conheci, me presenteou um ano antes com um lindo filhote de cachorro Pequinez, com caminha e caixinha de areia, que o Lunik (este era o nome do cãozinho) comeu até ser vermifugado. Graças ao Sr. Lúcio nasceu em mim paixão pelos cachorros, que transmiti aos meus filhos. Quando se era menina-moça, fase que deixou de existir, longe de ser criança e mais de ser mulher, o Lunik e o colar significaram o despertar da poderosa juventude.<br><br>e-mail do autor: [email protected]