Memórias Teatrais

Outra vez visito o meu interior e seleciono um dos vários "causos" para escrever neste site que já está virando uma cachaça pra mim. Achei, vamos voltar ao começo dos anos 60.

Eu continuo envolvido com a arte teatral, assim sendo, atendo uma chamada para testes no Teatro Bela Vista.

Esta chamada era para testes de admissão para o projeto "Teatro da Juventude" promovido pela grande diva do teatro, Nidia Licia, era um sábado e os testes se desenrolavam com a presença da famosa atriz, do diretor do projeto Libero Miguel, e vários atores Amadores ou recém profissionais.

Sou chamado, subo ao palco, digo um texto anteriormente preparado e sou aceito para o Grupo. Preencho meus dados e entrego para o Sr. Renato (Gerente Comercial do Teatro) e sou bastante festejado pelo ator Alceu Nunes.

Fui então conhecendo os demais participantes e, acreditem, entre eles estavam duas pessoas que teriam seus nomes projetados no mundo artístico como astros de primeira grandeza.

Vou lembra-los da primeira, a TUCA, grande cantora e amiga, portadora de sensibilidade incontestável quando cantando ou dedilhando um violão. Estava, também dando os primeiros passos na carreira profissional, chegou, inclusive, a fazer sucesso nas MPB.

Foi uma das gordinhas mais agradáveis que conheci e, por essa anomalia, não sei se glandular ou alimentar, tinha, internamente, uma grande tristeza e não a exteriorava.

Morreu muito cedo, quando ainda comemorava seu primeiro sucesso, vítima de um maldito regime alimentar. Na verdade, morreu de fome, sem ter como resolver seu problema estético.

O outro astro era, sem mais nem menos, um grande ator, sucesso global da atualidade. O meu grande amigo de outrora OSMAR PRADO, que chegou a declamar, por encantamento, alguns poemas de minha lavra. Pena não ter registros sonoros ou fotográficos dessas experiências.

A vida nos deu a chance der iniciarmos quase que simultaneamente nossas carreiras, ele conseguiu aproveitar a oportunidade e, só teve esse sucesso todo por que é realmente um excelente ator e, eu, por falta não sei do que, tive de abortar minha carreira uns anos depois para poder sustentar minha família, coisa que, embora frustrante, não me traz qualquer sentimento de raiva ou tristeza.

Foi mais um capítulo da minha longa historia de vida.