Memorias Saborosas

Recentemente, durante uma reunião de autores ao redor de várias pizzas, foi definido o local onde será realizada a nossa Festa de Confraternização Anual. Por minha sugestão foi escolhida uma tradicional cantina de São Paulo, no bairro de M’Boi Mirim, a Cantina Veneta.

Depois, já em casa, buscando detalhes para transmitir informações, minha mente foi tomada por um turbilhão de lembranças que vou tentar ordená-las e registrá-las neste texto. A Cantina Veneta, conforme informações colhidas, foi inaugurada em 1957, eu, os demais Duques De Piu-Piu, mais um grande amigo, o Pascoal, começamos a frequentá-la a partir de l958.

Éramos assíduos frequentadores do Recreio das Carpas (Salão de Baile instalado na Cidade Ademar) e todos os sábados para lá nos dirigíamos em busca de horas agradáveis de dança e descontração. No principio, a reunião para irmos ao baile ocorria por volta das 20 horas, na Cantina do Natalino, na Rua Manoel Dutra. Ali, saboreávamos algumas pizzas e depois, devidamente alimentados, nos dirigíamos a Praça das Bandeiras para embarcar no ônibus da Breda, fretado para levar os bailarinos sem condução própria até o Salão. Só não usávamos o ônibus quando o Pascoal, mecânico da EquipeTubularte, conseguia um carro emprestado.

Aí, então, nosso programa era alterado, nos encontrávamos por volta das 17h e íamos, no carro emprestado, até a Cantina Veneta. Chegávamos por volta das 18h, e, devidamente servidos de gigantescas caipirinhas, tomávamos de assalto a quadra de boccia, jogando diversas partidas até que um dos proprietários da Cantina viesse nos informar que a comilança poderia começar.

Famintos, devorávamos várias lasanhas, que eram e ainda são, servidas em cumbucas de barro e preparadas em forno de lenha, completamente polvilhadas de queijo ralado. Como acompanhamento, tínhamos um delicioso frango assado, servido ao molho de salsa (sensacional) e muita polenta frita, tudo regiamente regado com cervejas geladíssimas e, às vezes, de um vinho tinto.

Depois fartos, embarcávamos novamente no carro emprestado e partíamos em busca da música, da dança e de boas companhias femininas.

Bem, os Duques de Piu-Piu, foram namorando e casando e até mudando para o andar de cima, os bailes foram sendo abandonados, mas o que eu nunca abandonei, desde aquele longínquo ano de 1958 até este momento, foram minhas visitas à Cantina Veneta.

Ali levei minha namorada (depois esposa e hoje “exposa”), meus filhos, meus netos, minha atual e grande companheira e, agora, deverei levar meus pares de escritas.

O cardápio de nossa Festa de Confraternização deverá ser igual ao que eu sempre consumi na minha vida, assim como será igual o atendimento que sempre tive nessa Cantina.

Não tenho medo de que a sugestão dada foi a melhor escolha. Agora, só nos resta aguardar o grande dia e depois comer, comer e beber, beber…

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