O Mario Lopomo escreveu sobre este tema e me fez lembrar que eu também tinha escrito algo no meu blog, fui lá procurar e achei este texto, postado em 26/03/05, então resolvi transcreve-lo neste site também. Ele registra uma parte religiosa que sempre existiu em mim.
Ontem, sexta-feira santa, sexta-feira da Paixão de Cristo, eu sem nada por fazer brincava no computador e ouvia as notícias do "Jornal Nacional" quando foram anunciadas as reportagens sobre as comemorações católicas pelo Brasil, uma chamada me pinçou a atenção, desviei os olhos do monitor e fixei-os na telinha.
As imagens registradas mostravam umas cenas da "Procissão do Enterro" de uma paróquia, mas não me lembro qual. O que realmente me aguçou o espírito foi quando pela frente da câmara, passaram os "matraqueiros".
Imagens trazidas pelo vento do passado surgiram diante de meus olhos. Lembranças foram reavivadas.
Lembrei de minhas origens. Lembrei que nasci no seio de uma família católica e que fui batizado, sem ser consultado, na Igreja de Nossa Senhora da Consolação tornando-me, assim, um novo católico. Foi nessa igreja, comandada pelo velho Monsenhor Bastos (sampaulino incorrigível e tio de meu grande amigo João Batista da Costa Menezes) que dei meus primeiros passos na religião e na arte.
Na arte por que participava de todas as festinhas cantando ou representando. E na religião por que, nessa Igreja eu, depois de batizado, fui crismado, fui membro da Cruzada Infantil, fui Coroinha (cheguei a ser chefe dos Coroinhas, com direito a ajudar e fazer a coleta na missa das 11:00 hs.), e fui Congregado Mariano. Foi nela que me casei e, também, batizei minhas filhas.
As lembranças, em galope incansável, continuavam a surgir, lembrei-me, então, que como Congregado Mariano e amigo íntimo do sobrinho do Monsenhor, eu tinha a prerrogativa de ser o "tocador oficial da matraca" em toda Procissão do Enterro.
E dessa prerrogativa eu não abria mão, toda sexta-feira da Paixão. Na saída da Procissão, lá estava eu, matraca na mão, todo imponente, abrindo a ala da Procissão.
Meu instrumento me lembro bem, era feitos de uma prancha de madeira, com mais ou menos 15 cm de altura, e 60 cm de comprimento, pregadas nessa prancha seis peças retangulares de ferro que serviam para fazer o barulho quando se balançava a prancha. O barulho emitido pelas matracas simbolizava os trovões que ensurdeceram o povo de Jerusalém, após a morte de Jesus Cristo, e eu as tocava com todo vigor, só as silenciando quando as alas paravam para ouvir a Verônica cantar (lembrei-me, inclusive que a Verônica da nossa Igreja era nada mais nada menos que a famosa soprano Salomé Parisi que, para mim era mais famosa ainda por ser mãe do meu amigo Carlinhos e tia do meu, também amigo, Brandão).
Todas essas lembranças, de uma só vez, fizeram brotar uma nostálgica saudade no coração deste sonhador que, mais uma vez, registrou no papel a saudades que lhe veio à mente.
Assim, sigo meu destino e sempre que posso vou rememorando, rememorando, rememorando e vivendo outra vez…