Lá vamos nós, cutucados pelas lembranças do Mario Lopomo, viajar no tempo. Voltamos aos anos 50, lá vai um menino sonhador, depois de cumpridas as obrigações religiosas, conviver com seu grande sonho, a rádio.
Sai de sua casa no começo da Rua Augusta, desce até a Rua Martins Fontes, chega a Xavier de Toledo, atravessa o Viaduto do Chá e a praça do Patriarca, para um instantinho para ver as ver as vitrines da A Exposição, entra na Rua Direita e, pronto, já está de fronte do seu palácio de sonhos, a Radio Record de São Paulo na Rua Quintino Bocaiúva.
Para na porta, cumprimenta o porteiro, sobe as escadas de mármore do prédio, já desgastadas pelo tempo e pára diante da cortina de veludo bordô que separa o corredor de entrada do corredor que vai direto ao auditório. Entra, vai até a sala que fica ao final do corredor para receber, como acontecia quase todos os dias, um tapinha carinhoso do Comendador Siqueira (Gerente da Rádio) e, assim, já devidamente preparado, entra no auditório aonde minutos depois irá copmeçar o programa matutino de todos os fins de semana, o famoso "Hoje é Domingo", liderado pelo grande radialista Randal Juliano que nos deixou há poucos dias atrás.
Este era um programa de variedades, com muita musica, humor e brincadeiras de auditório. Na locução comercial a lindíssima e maravilhosa Nair Belo (minha primeira grande paixão platônica), no humorismo tínhamos lá, também, grandes nomes tais como Chocolate, Adoniran Barbosa e, na parte musical, Isaurinha Garcia, Demônios da Garoa, Dupla Ouro e Prata, Cascatinha e Inhana e tantos outros cartazes de primeira grandeza no cenário nacional.
Nas brincadeiras de auditório eram distribuídos diversos brindes, entre eles os passaportes que davam direito à entrada e aos brinquedos do famoso Parque Shangai que ficava no Parque D.Pedro II, e que, para mim, era visita obrigatória de todos os domingos à tarde mercê desses tais passaportes.
Como não poderia ser diferentes, meus ídolos da época eram Randal e Nair, e quase morri de susto quando fui escolhido para gravar com eles o piloto de uma novela infantil que deveria contar a historia de Peter Pan. Eu como Peter Pan, ele como pai e a minha deusa como mão do herói infantil. Embora aprovada, a novela nunca foi para o ar, mas meus sonhos sempre nele estiveram.
Outras histórias deste tema deverei escrever em breve. Aguardem.