Memórias que o tempo não apaga

Quando me disponho a fazer uma arrumação nos armários, sempre encontro alguma coisa interessante, um dia destes achei uma velha pasta de cartão que estava perdida no meio de várias quinquilharias que a gente vai acumulando desnecessariamente e lá estava uma folha de papel almaço pautado, já bem amarelecida, estava cheia de rabiscos, mas logo abaixo alguém anotou algumas notícias que foram copiadas de jornais da época, achei interessante e passo a descrevê-las:
 
Jornal: "Folha da Noite" – Edição de 23/01/1953.
 
Notícia da primeira página: "O Prefeito lançará concorrência para o metropolitano".
 
"Previstas para meados deste ano a conclusão da segunda pista de São Paulo a Jundiaí".
 
A folha continha ainda mais as seguintes anotações, mas sem citar de que jornal foram copiadas:
– O restaurante Fasano inaugurou a sua pista de cristal iluminada na Rua Brigadeiro Tobias.
– Vamos consumir menos, recomendações das autoridades para combater a inflação.
 
Jornal: "Folha da Noite" – do dia 15/06/1953
– A morte nas asas da dança, uma noite de alegria transformada na mais tremenda das tragédias.
– Vistoria geral em todas as gafieiras, agora a prefeitura toma providências.
 
Logo abaixo, em tinta vermelha, estava escrito: “Incêndio no salão de bailes do 28 na Rua Florêncio de Abreu”.
 
Deste fato eu me lembro muito bem, o salão ficava em um sobrado, o fogo começou na parte de baixo e as pessoas correram todas para a escada de madeira para escapar, o pânico se estabeleceu e muita gente foi pisoteada, pois a porta de saída era muito estreita, foi realmente uma tragédia, até um vizinho nosso que morava na Rua Costa Aguiar, esquina com a Rua Lord Cockrane, faleceu nesse incêndio, o fato ocorreu em um sábado, dia 13/06/1953.
 
Na outra folha, alguns lembretes:
– Comprar pasta de dentes;
– Passar na Tia Ida e pegar a blusa da vó que ficou lá;
– Entregar o resto dos convites de casamento, o da família do tio Nando pode deixar tudo lá.
 
Na realidade eu não sei quem escreveu tudo isso, a letra era bem ruim, acho que essa pasta não era de alguém aqui de casa, mas deve ter sido trazida por engano junto com alguma caixa que não foi aberta após várias mudanças de endereços, em todo caso fica aqui o registro, pois o tio Nando e a tia Ida eram nossos parentes diretos e moravam lá na Rua Agostinho Gomes, a casa já não existe mais, foi totalmente reformada e no lugar funciona uma firma comercial.