Memórias Infantis II

Conforme já narrei em outras oportunidades, minha infância passei na Rua Augusta e adjacências. Eu morava no 291 e minha casa estava situada no quarteirão limitado pelas ruas Marques de Paranaguá e Caio Prado.

Convido-os a passear comigo por esse quarteirão. Então vamos subindo pela Rua Augusta na calçada da esquerda em sentido aos bairros, estamos na esquina da Rua Caio Prado e vamos atravessá-la, mas, antes, gostaria de lhes mostrar o Armazém do Sr. José, onde comprei muito ½ litro de Leite em garrafas de vidro, comprei muito doce e outros mantimentos que minha avó pedia e, também por que não confessar, vendi muita garrafa vazia que meu avô guardava e eu surrupiava, venda cujos lucros auferidos me serviam para a compra de guloseimas, sorvetes e, às vezes, uma entrada na matine do Cine Odeon.

Bem, atravessamos a Rua Caio Prado e nos deparamos com uma construção enorme, tijolos aparentes dariam a ela um clima bucólico não fosse o barulho imenso que suas paredes filtravam. Era um barulho incessante de máquinas trabalhando. Estamos defronte ao prédio da TIPOGRAFIA SIQUEIRA, empresa bastante respeitada no campo gráfico, vencemos mais alguns metros de calçada e passamos em frente a uma Sinagoga Israelita.

Logo depois numa casa geminada mora na primeira um dentista, Dr. Manfredo figura querida, mas ao mesmo cômico para nos molecotes, era baixinho, totalmente careca de cocuruto lustroso e totalmente cioso, ou melhor, ciumento de sua filha Lídia, com quem me dava muito bem.

A casa seguinte era o lar da Família Chammas, lá residiam, no início, meu avô José, minha avó Laura, meu pai Alfredo, minha mãe Thereza, meu irmão Antonio Carlos, minhas tias Neide e Zaíra, minha prima Sonia meu primo Roberto e este que aqui escreve.

Na casa seguinte morava Da. Antonieta, e depois dessa casa morava uma pessoa muito importante, era o motorista do Sr. Macedo Soares.

Subindo mais um pouco estava a pensão da Da. Vick cujo filho era quando pequeno muito ranheta e mal educado e que se chamava Heráclito.

Chegamos agora na esquina da Rua Marques de Paranaguá e nos deparamos com uma loja grande, era uma sapataria (sapateiros remendões da época) cujo proprietário era nada mais nada menos que o Sr. Pedro Sernagiotto, o famoso MINISTRINHO, jogador do Palmeiras da Seleção Brasileira e um dos primeiros craques exportados para a Itália.

Ele era proprietário, também, de uma bomba de combustível que ficava instalada na própria Rua Augusta, do outro lado da calçada.

Seria injusto não citar que na esquina da Rua Marquês de Paranaguá ficava também, um ponto de “carros de aluguel” que conheciam a todos os moradores do local e eram utilizados por nos em ocasiões muito especiais.

Em frente à sapataria do Ministrinho ficava a Escola Santa Mônica onde estudei e o guarda-civil que cuidava da travessia das crianças em seu fardamento azul-marinho era, se não me falha a memória, o Sr. Antonio.

Concluímos aqui nosso passeio, mas antes de nos despedirmos gostaria de confessar que palmeirense que sou, tive a honra de ser amigo do Ministrinho que brincava e falava comigo desde os primórdios da minha existência até minha juventude, quando ele se foi para o andar de cima.