Nos anos 60 se valorizava muito a "macheza", a "masculinidade" dos jovens. Nós tínhamos de demonstrar coragem constantemente para sermos respeitados entre os demais da espécie.
Claro, os componentes da famosa turma não poderiam ser diferentes.
Lembro-me que nas noites antes de nossa transformação em boêmios, era muito difícil se fazer um programa.
Uma das coisas que fazíamos na falta de um programa melhor eram as incursões noturnas em busca de uma boa briga
Nessa época eu ainda morava na Rua Augusta, ali nos reuníamos eu (o naskifa), o Silvio (Xiribi), o Toninho (Caga Leite), o outro Antonio (Tsú), o Roberto (Romano) e o Francisco (21), e saímos para a incursão que se fazia assim:
Na frente, andavam o Xiribi e o Romano (ambos, hoje, já no andar de cima). Uns 20 metros atrás iam os demais.
O par da frente, todo rebolativo, subia a Rua Augusta dando a maior pinta de bicha e nós, no grupo da retaguarda, íamos fazendo piadinhas, mexendo com os dois como se não os conhecêssemos.
Era uma encenação perfeita!
Assim, íamos subindo a Augusta, as provocações aumentavam em cada bar que surgia, até que, alguém de dentro de um desses bares saia e tentava brincar também com a dupla.
Aí, então, a brincadeira inicial terminava, e começava a diversão pra valer. Fazíamos uma rodinha em volta do novo brincalhão, e começávamos a amedrontá-lo, se reagisse estava pronto o prato que buscávamos. O pau comia e, mais uma vez provávamos nossa faceta máscula e o "pau comia pra valer".
Hoje, analisando essa memória, vejo quanto imbecis nos éramos. Mas para a época nos éramos Máximo.
Nem sempre as boas memórias são de coisas muito boas, mas, aconteceram e devem ser lembradas.