Memórias de uma voz

Um dia, meados de 57, em um baile pró-formatura realizado nos salões do Clube Homs em São Paulo, eu conheci um cantor sensacional.

Negro, porte atlético, usando o corte de cabelo que hoje é muito usado pelos descendentes afro-brasileiros, ou seja, cabeça totalmente raspada.

Possuidor de uma voz forte e cristalina e que, além de bem colocada, dizia com clareza cada uma das palavras da letra.

Os dentes alvos se destacavam naquele rosto grande e naquela risada espontânea.

Imediatamente me transformei em um dos seus mais ardentes fãs. Acompanhei durante muitos anos sua carreira vitoriosa em Rádios, TVs, Discos e Orquestras.

Foi crooner da Orquestra Osmar Milani por muitos anos, e tinha como companheiro musical nada mais, nada menos do que o, ainda não tão famoso, Agostinho dos Santos.

Foi ele o primeiro cantor a ganhar, em 1960, o Troféu Imprensa como melhor cantor.

Fui tão fã que a única música de minha autoria que compus verdadeiramente, foi reservada para que ele ouvisse e gravasse, coisa que não aconteceu e a minha musica "Pierrô nova sina", continua guardada, esperando, quem sabe, um novo encontro em outra dimensão para lhe ser mostrada.

Estou falando do grande Francisco Egydio que nos deixou exatamente em 17 de Outubro de 2007.

Após esse segundo aniversário de sua morte, quero prestar esta homenagem ao cantor que alegrou muitos dias da minha, ou melhor, da nossa juventude. Obrigado Egydio!

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