Memórias de um ex-juiz de casamentos

Lá pelos idos da década de 70 fui nomeado Juiz de Paz para atuar no Cartório do Registro Civil do Ipiranga junto com o Sr. Remo Calza, também juiz na época, nos revezávamos nos plantões aos sábados para não ficarmos muito tempo sem gozarmos um final de semana, na época era muito comum realizarmos mais 30 casamentos só na parte da manhã e à noite tínhamos ainda que realizar alguns nas igrejas, salões de festas e até em residências, muitas vezes o trabalho terminava por volta das 22h.<br><br> Um certo sábado havia apenas quatro casamentos, cheguei no Cartório por volta das 9h30 e, como de costume eu dava uma olhada geral nos processos, realizei os primeiros dos três e no último aconteceu um fato que até hoje não me esqueço, os noivos e os padrinhos se alinharam à frente da mesa mas notei que o semblante do noivo não aparentava alegria, creditei o fato à possível emoção do momento, após as perguntas de praxe, leitura do termo e identificação dos padrinhos e testemunhas, todos assinaram o livro de termo de casamentos, terminada a parte oficial coloquei a certidão na capa e entreguei ao noivo desejando felicidades, para espanto geral o rapaz jogou o documento sobre a mesa e dirigindo-se à noiva disse:<br>- "era isso que você queria? pois aí está, até logo"<br> Em seguida virou as costas e foi embora, não preciso dizer o que aconteceu pois foi um alvoroço geral, noiva chorando, padrinhos lamentando, enfim, uma tremenda confusão, até hoje não consegui saber o porque de tão inusitado episódio, tenho mais algumas passagens curiosas para relatar, futuramente voltarei para contar.<br><br><br>E-mail: [email protected]