Nascida em 1926, aqui em São Paulo – capital, foi o que alguns chamam de “raspa do tacho”, já que sua mãe tinha 35 anos de idade quando Juju nasceu. Minha avó Josephina foi pedida em casamento aos 11 anos, mas como ainda não era “mocinha”, seu pai Benedito achou melhor esperar… E aos 13 anos casou-se com Joaquim que tinha 19 anos de idade. Desta união nasceram nove filhos, mas sós cinco sobreviveram.
Seus irmãos, portanto, já eram adolescentes quando Juju nasceu. Seu irmão Aurino, foi durante a vida toda seu grande companheiro e cúmplice nos relatos aqui transcritos, já que a diferença de idade entre eles era de apenas três anos.
O irmão Antonio era 17 anos mais velho que ela. Durante algum período de sua infância ela era encarregada de lustrar os botões de sua farda, já que nessa época ele pertencia à Corporação da Guarda Civil de São Paulo e seu irmão Aurino cuidava dos talabartes, cartucheiras e botas.
Sua irmã Olinda havia nascido em 1913, portanto treze anos mais velha – só tem lembranças dela, já casada e os sobrinhos eram quase como irmãos mais novos, pois seu sobrinho Homero é oito anos mais novo que minha mãe.
Lembra muito de sua irmã Magnólia, chamada por todos de “Nola”, uma jovem muito bonita, de longos cabelos e que gostava muito de dançar. Lá ia minha mãe “segurando vela “ quando ela ia dançar em um salão de baile , onde anos mais tarde funcionou a fábrica de chocolates Lacta na Rua Salete em Santana . Sua irmã frequentava a igreja Santana e pertencia à Congregação das “Filhas de Maria” e ela ficava toda orgulhosa, quando sua irmã ia à missa toda vestida de branco com suas fitas azuis.
Seu irmão Aurino (“Ninho”) sempre foi um companheirão; passaram por muitas dificuldades. Nas alegrias, nas tristezas lá estavam os dois sempre juntos… Um tentando amenizar a dor do outro! Certa vez ele ficou com problemas de audição e foi passar uns tempos na casa de sua madrinha. Sempre pensando na irmã caçula, ele guardava cada doce, cada fruta que ganhava debaixo do colchão. É claro que quando encontraram os guardados que ele havia deixado para Juju, estava tudo embolorado!
Lembra-se de muitas reuniões em família, aonde suas irmãs ia com seus filhos na casa de minha avó Josephina e meu avô Joaquim (minha avó era uma quituteira de mão cheia, como boa filha de mineira).
As reuniões em família eram sempre muito alegres: havia cantoria, brincadeiras e não precisam de muito para ser felizes!
Hoje tem muitas lembranças, ainda muito claras em sua mente, mas… Todos já se foram…
Saudades…