Domingo dia de missa! Domingo dia de terno e gravata! Domingo dia de festa! Domingo dia de almoço em família! Antigamente era assim mesmo. Hoje, nos tempos modernos, os domingos são tirados para se dormir até tarde. Já não se fazem domingos como antes. Os jovens não vão mais à Missa e quando vão, por um forte sentimento de fé, assistem à missa das 19h00. Almoço com a família toda sentada ao redor de uma mesa, saboreando o macarrão da mamma, o franguinho. As porpetas foram substituídas por uma cama aconchegante e um sono prolongado. Eu tive em minha vida grandes domingos.
Lembro-me que, quando ainda molecote, chegado o domingo, eu colocava minha calça, curta e única, a minha camisa passadinha por Dna. Tereza, a famosa gravatinha borboleta e ia até a Igreja de Nossa Senhora da Consolação. Ali assistia a missa e, depois, na companhia do amigo de todas as horas, Zilando, seguia até o auditório da Rádio Cultura, na Avenida São João, assistir o famoso programa infantil Grêmio do Sezinho, em seguida, almoçava com meus pais.
Na parte da tarde, ia ao Cine Odeon ou ao Circo Piolin. Eram domingos memoráveis! Mais velho, os domingos pela manhã já não eram preenchidos com a missa. Levantava cedo sem me importar com o desgaste da noitada do sábado anterior, e ia para o Ibirapuera assistir o meu Rubro-Negro de tantas glórias jogar. Lógico que além de assistir o jogo do 2º. e do 1º. quadro, de discutir às vezes com os elementos dos times adversários, eu também tomava meus aperitivos.
Regressávamos ao Bixiga por volta das 14h00, almoçávamos cada um em sua casa, menos o 21 (Francisco Ribeiro) que de tão esfomeado, além de almoçar na casa dele, fazia uma boquinha na casa de mais dois ou três da turma. Almoçados, nos reuníamos para assistir, via “Televizinho” o jogo de futebol que normalmente tinha a locução de Geraldo José de Almeida e comentários de Flávio Yazetti. Depois de terminado o jogo, íamos, obrigatoriamente, para o Cine Rex, assistir aos dois filmes programados.
Terminada a sessão cinematográfica, restava uma passadinha no Bar Líder para saborear um misto-quente e, depois, bater em recolhimento para esperar a segundona e enfrentar o trampo de todos os dias. Mais tarde ainda, já casado, aos domingos eu ganhava o privilégio de escolher o programa. Duas eram as opções, levar a família para almoçar fora ou ganhar o privilégio de preparar o almoço da família.
Quando a grana não estava curta, saiamos para almoçar. A família iniciada com duas pessoas chegou a ter em volta de uma mesa de domingo, no mínimo seis pessoas. Eu me deliciava em atender aos pedidos dos filhos, fazendo todas as comidas que eles pediam. Era muito gostoso vê-los se fartarem de comer. Aí, então, veio a separação e os domingos foram perdendo sua razão de ser. Sem mais ter para quem cozinhar ou satisfazer, passei a encarar os domingos como dias comuns e rememorar aos grandes domingos de outrora.
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