Já é sabido por que já contei que bicicleta minha nunca existiu na infância, a única que deveria ser minha foi sorteada para minha prima Sonia, que na época, por ser menina, era mimada e chorona, e assim o meu acesso a tal bicicleta era quase nenhum. Como tudo envelhece, a bicicleta também envelheceu. Um dos seus defeitos era a catraca da corrente ter perdido alguns dentes. Assim sendo, quando a pedalada ficava dependente da força dessa catraca desdentada, o pedal dava um salto e um solavanco e, se o ciclista não ficasse esperto, ia beijar o chão.
Nessa época, meu amigo Zilando morava na Rua Frei Caneca, entre as Ruas Paim e Da. Antonia de Queiroz, e nossa ousadia mais freqüente era descer de bicicleta a Rua Pai, entrar com velocidade à esquerda na Rua Avanhandava e descer até em velocidade cada vez maior a sua ladeira que era totalmente asfaltada.
A volta, bem, a volta era cansativa, mas o prazer da descida compensava o cansaço da volta.
Um certo dia à tarde, apareci na casa do Zilando com a comentada bicicleta e o convidei para uma de aventuras. Ele topou de imediato, mas, a Da. Esther, chegando à porta foi falando:- Antes de sair para suas brincadeiras, tem que fazer a Zicleide (a nova irmãzinha que havia nascido e estava com pouco mais de um ano de vida) dormir primeiro. Lá fomos nos fazer a pentelhinha dormir! Missão cumprida, saímos para a aventura. Estávamos já na terceira incursão, ou seja, já havíamos feito duas descidas alucinantes. Preparamos-nos para a terceira, tomamos fôlego e uns goles de água, subimos nas poderosas maquinas e saímos em desabalada carreira. Mesmo com uma bicicleta mais velha e quase se “desmilinguindo” toda, eu estava na dianteira, chegamos na Rua Avanhandava, entramos vertiginosamente no seu leito carroçável, o Zilando estava quase me ultrapassando, olhei de relance para trás e vendo que ele se aproximava perigosamente coloquei todo meu peso no pedal e pedalei. Na pedalada, os vãos desdentados entraram foram requisitados e… PIMBA! Lá estava eu voando por sobre o guidão e indo de encontro ao chão. Meus joelhos chegaram primeiro ao asfalto que as demais partes do meu corpo. O estrago foi assustador, duas rotulas rasgadas e ensangüentadas além de demais manchas por todo o corpo. A bicicleta nada sofreu…. mas eu fiquei proibido de a continuar usando por um longo tempo. Ainda bem que não era minha…..
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