Memórias amorosas

Dizem que o primeiro amor não se esquece nunca!
Concordo com a afirmativa, mas acho que ela deve ser complementada e eu a escreveria assim “Os primeiros amores não se esquece jamais…”.
Digo isso por mim, tive grandes “primeiros amores” e não os consegui esquecer até hoje. Amei a Norma Toschi (que depois passou a receber de mim um amor fraternal que persiste até hoje), amei a Nair Krivanec (acho que ela nunca soube), amei a Daura (depois a apresentei a um amigo e eles estão casados até hoje), amei a Nora (que dizia ser o que ainda não era, “nora”! Nunca mais a encontrei), amei a Maria Helena (que me desprezou por um tal Dito e com ele se casou tempos depois).
Amei também uma menina-moça que marcou minha adolescência, seu nome era Nilza Chacon Pereira. Foi ela, na realidade, a namorada que mais me prendeu e, acho que se não fosse pela mãe dela, que me detestava, teríamos nos casado um dia.
Lembro-me que começamos a namorar quando ela foi morar na casa de meu futuro tio João. A mãe dele alugava quartos e ela foi ali morar com sua mãe que era viúva. Depois ela foi morar na Rua Augusta, na casa da irmã do Monsenhor Bastos, juntamente com o meu grande amigo Juca Batista que já foi citado por mim em memórias anteriores.
Na época a coqueluche da moda feminina eram uns cintos largos, de elástico que mais pareciam barrigueiras para montarias. Eram também muito parecidos com os cinturões usados pelo Corpo de Bombeiros.
As moças, entre elas a Nilza, ficam com cinturinhas de pilão ou de vespa e nós, rapazes, gostávamos de abraçar aquelas cinturinhas.
Um dia, a Nilza foi morar na Rua Matias Aires. Para essa rua meu amigo Juca Batista também havia se mudado. Foi então que apresentamos a Nilza a um amigo em comum, também morador daquela rua de nome Murilo. Ele era vizinho do Juca e morava com o avô materno. Sua maior qualidade era ser filho avulso do galã Walter Foster.
Esse parentesco fez com que a mãe dela tivesse os olhos crescidos e trabalhasse tanto que nosso namoro terminou e, depois de alguns anos, a Nilza se tornava nora do Galã, para o deleite da mãezinha.
Nunca mais nos vimos, mas a memória guardou os bons momentos que tive ao namorá-la.
Hoje ainda me pergunto por onde ela andará. Será que se lembra de mim?
Não sei e vou continuar não sabendo…

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