Você aí! O que significa meio século? Talvez apenas informações do passado, se você ainda não chegou aos 50. Aqui vai a minha história:
Nos anos 50 e 60, eu estudava Direito no Largo de São Francisco – USP. A escola ainda tem a mesma arquitetura e atmosfera do passado, em que os jovens lutavam por ideais vanguardistas e posicionamento político. Eu me orgulhava, como ainda me orgulho, das minhas raízes acadêmicas.
No Butantã, a cidade universitária estava sendo construída numa região quase inóspita, ligada ao centro por poucos ônibus e nada mais. O Conjunto Residencial da USP (CRUSP) acabara de ser construído, quando para lá eu me mudei. O afloramento do lençol freático nomeado Rio Pinheiros era um centro estudantil de lazer e esportes. Hoje, os prédios construídos durante as cinco últimas décadas, já sofrem o vestígio dos tempos, as árvores estão maduras, o campus verde inspira reflexão e dá oportunidade a comunhão com a natureza. A presença aberta e democrática do campus, tesouro de que usufrui, ainda pode ser apreciada.
Nomes como Alfredo Buzaid e Cacilda Becker faziam parte do cenário acadêmico-teatral da época. Hoje eles são encontrados na nossa história e denominações de ruas. Emoções que nem posso descrever, tanta a nostalgia que sinto, fazem parte da minha existência.
Deixei o país e voltei agora, depois de 50 anos de exílio por escolha própria. São Paulo existe no meu sangue, no meu coração; e o amor desmedido que sinto tira-me a objetividade racional deste ensaio. Mas nem tudo precisa estar necessariamente no domínio racional. Eu amo São Paulo, orgulho-me da minha cidade por eleição e estou muito feliz com o meu retorno.
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