Lembranças de velhas eleições

Em 1950, a campanha presidencial fervia. Adhemar o responsável, pela volta de Getulio a se candidatar novamente dava seu apoio, caso fosse dele a indicação a vice. O aceito por Getulio e o PTB. Ademar então indicou Café Filho, um político do Rio Grande do Norte pertencente às hostes comunistas, ligadas ao Ademarismo. Feito isso, Adhemar se deu por satisfeito, pois Getulio era barbada para ganhar aquele pleito. Passou então a se dedicar a campanha do candidato a sua sucessão, já que ele era o governador, e do vice de Lucas Nogueira Garcez, Erlindo Salzano. Campanha ia indo muito bem, mas observava-se o crescimento de Hugo Bhorgui do PTB o candidato dos trabalhadores que usava o jargão de o protetor dos marmiteiros. Sua música de campanha dizia bem isso. Deixa o trabalhador passar. Deixa passar o trabalhador. O senhor, o senhor que não trabalha. Só atrapalha, só atrapalha. Sou marmiteiro e não posso me atrasar. Sai da frente. Sai da frente, sai da frente Balthazar, que essa sopa vai acabar, vai, vai. vai. Adhemar percebeu que a coisa não estava tão fácil como imaginava. Então forçou a campanha, passou a visitar várias cidades. A estar mais presente, sabia da sua força. Numa sexta feira uns quinze dias antes da eleição, os radares do aeroporto de congonhas não tinham mais comunicação com o avião do Garcez que estava pelo interior do estado fazendo campanha. Logo no sábado pela manhã Adhemar tomou as providências de praxe. Colocou todos meios de segurança na expectativa de achar o avião do candidato que estava em local não sabido. O passava e nada de notícias. Seu Osvaldo que morava nos fundos da minha casa, conversando com meu pai estava triste. Pois Getulista como toda minha família e a maioria dos vizinhos estavam apreensivos, pois Garcez fazia parte da chapa de Getulio.
– Seu Ângelo, será que o avião do Garcez realmente caiu e estão todos mortos?
– Que nada Osvaldo. Isso é artimanha desse vagabundo do Adhemar. Pode crer que daqui a pouco eles dizem que o avião foi achado e tudo está bem.
Não deu outra. Lá pelas 17 horas, veio à boa notícia. O avião fora encontrado, tinha feito um pouso forçado e o local era de difícil comunicação. Já se sabia que Garcez e comitiva chegariam ao aeroporto de Congonhas às 19 horas. O aeroporto estava repleto de pessoas a espera do candidato. Se faziam presentes, autoridades, Civis, Militares e eclesiásticas. Fora o povão adepto a candidatura. E também como não podia faltar a imprensa. Estávamos ouvindo a rádio bandeirantes e o repórter José Carlos de Moraes (tico tico) fazia seu brilhareco assim como os demais representantes da imprensa, falada e escrita. Quando o avião desceu foi aquela festa. A mãe do Garcez estava emocionada em beijar seu filho são e salvo. Agora, o meu pai disse que escutou o barulho do beijo da mãe do Garcez, através do microfone da radio. Vai ter ouvido bom assim lá na Itália.