Nossa, que maravilha conhecer este espaço. Sou um apaixonado por São Paulo, tenho 69 anos de idade, nasci em 1941, morador naquela época na Rua Carlos Weber, Vila Hamburguesa, sendo que o meu parto foi feito na Maternidade São Paulo, a fórceps, com alto grau de risco de vida, tanto para mim como para minha mãe.
Filho único, nasci depois de dez anos de casamento dos meus pais. Minha mãe, com 41 anos de idade (ela era de 1900), me criou com todo o carinho e cuidado até os sete anos nesse endereço.
Meu pai, ferroviário da Estrada de Ferro Santos a Jundiaí, trabalhava na Estação da Lapa, e minha mãe doméstica. Aos sete anos, em 1948, fomos morar na Vila Bonilha, sub distrito da Freguesia do Ó, numa casa própria comprada com muito sacrifício pelo mau pai.
Lembro-me dos finais de semana de mutirões com amigos que ele levava a troco de algumas petisqueiras que minha mãe preparava, e aos poucos foram construindo a casa, uma das melhores na época naquela localidade. Um belo terreno, onde passei a melhor fase da minha Vida, até os 20 anos mais ou menos.
Não teria condições de contar tudo aqui. Precisaria escrever um livro o qual teria no mínimo umas 500 páginas, tal o enredo que envolve minha passagem por esta cidade. Como é bom recordar.
Falo sempre da boa qualidade de vida que tínhamos em São Paulo. Lugares maravilhosos, sem poluição, rios com muito peixe, um Rio Tietê navegável, condução difícil, porém muito bem cuidada, lembro com saudades dos Bondes, principalmente o Camarão que era fechado, com bancos de palhinha, que ninguém destruía.
A honestidade dos cobradores. Imaginem ele cobrando de todos os passageiros e só depois registrava os valores através de uma alavanca quantos haviam pago a passagem. Parece até mentira. E os ônibus, quando chegavam ao ponto final, tanto na ida como na volta, o cobrador verificava banco por banco, examinando se alguém tinha deixado alguma coisa, e se isso ocorresse, ele enviava para a garagem, e o dono poderia procurar que encontrava o objeto esquecido.
E as compras do mês? Lembro com muita saudade da caderneta no armazém do Seu João, um português que veio para o Brasil e montou uma vendinha, e mantinha quase todos moradores da vila, financiando os alimentos, e marcando numa caderneta. Quando ao final do mês, meu pai ia pagar a conta, o português somava a conta, que o meu pai tinha que trazer antes para casa para minha mãe conferir (lembro que quem cuidava do pagamento do meu pai era ela), e assim que pagava a conta o português dava de brinde uma lata de goiabada. Imagine como isso marcou em minha vida.
Gostaria de continuar escrevendo muito mais, mas vou deixar para uma segunda etapa. Será que isto tem algum interesse para alguém? Mas quem sabe algum amigo do passado que lendo esta história queira lembrar quem eu sou, fiquei conhecido até meus vinte anos como o Pedro Coroinha, pois fui militante e seguidor da Igreja Nossa Senhora de Fátima durante muitos anos.
Bem, se alguém quiser ver mais sobre minha caminhada, deixem um comentário, pois tenho muito para falar desta Cidade, que mora no meu coração.
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