Lapa querida II

Com a permissão dos queridos leitores, volto para relatar mais alguns episódios vividos durante minha infância e juventude no querido bairro da Lapa. <br><br>Tantas coisas vem à memória, e não poderia deixar de dizer o quanto aprendi ali com pessoas que faziam parte do nosso dia a dia. Meu primeiro professor foi o Senhor Camargo, que além de lecionar era daquelas pessoas dedicadas e se preocupava com o crescimento de nosso bairro Parque da Lapa, sub-distrito da Lapa. Através deste ilustre senhor, nosso bairro foi presenteado com diversas melhorias como asfalto, luz elétrica, saneamento básico (parece até que estou fazendo política); tudo isso graças à Associação de Amigos do Bairro o qual nosso querido Senhor Camargo presidia. <br><br>As pessoas de minha faixa etária que por ventura ainda residem ali, tem pleno conhecimento do que estou dizendo (apesar de alguns serem contrários a algumas idéias que se apresentavam naquele momento), mas isso é natural e compreensivo até os dias de hoje (e isso é uma outra história). <br><br>Saudades da Rua 12 de Outubro, onde estudei no Colégio Campos Sales. Era assíduo frequentador do cinema que havia lá perto da estação, às exibições de filmes não ia tanto, frequentava mais os shows musicais, pois ali nascia minha incursão pelo mundo da música. Nessa época os cinemas nos bairros, através das emissoras de rádios, Tupi e Record principalmente, apresentavam seus shows musicais, geralmente aos domingos pela manhã, e lá ia eu com a "patota" que era uma "brasa, mora"! <br><br>Nesses espetáculos vi nascer aqueles que depois seriam grandes nomes da música popular brasileira. Cine Tropical, Cine Nacional na Rua Clélia, que depois se tornou grande casa de espetáculos (não sei se está lá ainda hoje). No cine Nacional, quando exibia filmes do Elvis, a turma só não arrastava as poltronas porque eram fixas, senão! Era todo mundo dançando ao som de Rock and Roll. <br><br>Na Rua 12 de Outubro conheci, já nos anos 60, uma casa de Pão de Queijo, pois até então isso era uma novidade. As primeiras chamadas lanchonetes iam surgindo, e não se imaginava grandes redes nesse segmento. <br><br>Voltando à nossa Associação de Amigos de Bairro Parque da Lapa, aos domingos à tarde apresentávamos um show de calouros, o qual esse seu amigo que vos fala, era o animador do referido programa. Concorríamos com Silvio Santos no mesmo horário, é mole? Mas posso dizer que nosso auditório estava sempre lotado, os frequentadores eram generosos. Ali conheci minha amada esposa, querida Edna, que me acompanha até hoje, graças ao bom Deus. Um irmão seu chamado Jorge cantava no programa, mas se apresentava com o nome de Jorge Carlos (pois ele só cantava músicas de Roberto Carlos). Aos filhos amados Marcelo e Alexandre, minha gratidão, nascidos dessa feliz união com Edna, minha rainha.<br><br>Lapa querida, onde tudo começou, sou grato ao bairro Parque da Lapa, pois ali passei grandes momentos de minha vida. Ali conheci grandes amigos, ali iniciei meus estudos, ali iniciei na música, ali conheci minha esposa querida. Parque da Lapa sempre estará guardado em minha memória.<br><br>E-mail: [email protected]