Lanchonete Vila Rica

Hoje eu vou contar o que acontece dentro de uma lanchonete. Eu e minha esposa montamos uma lanchonete em 1970, na Avenida Pedroso de Morais, nº 359, em Pinheiros, em frente ao Colégio Fernão Dias. A casa era muito bonita, com uma decoração maravilhosa, ao lado tinha a boate do cantor Mauricy Moura (partido alto). Foi a única casa comercial que apareceu na revista Casas e Jardim (a decoração), não é fácil agradar aos clientes, tem uns que não têm o senso do ridículo.

Uma estudante do colégio vinha todos os dias na hora do almoço, ela usava o banheiro e na saída perguntava se devia alguma coisa. Passaram alguns meses, ela perguntou, e o garçom disse: você deve vários rolos de papel higiênico, você só vem aqui para dar sua cagadinha. Nunca mais apareceu, ótimo.

Outro cliente vinha todos os dias às 6 horas da tarde, tomava uma cerveja, pedia um pedacinho de salame, um pedacinho de queijo, umas azeitonas, e no fim só queria pagar a cerveja. Outra cliente vinha às 11 horas da noite, sentava perto do balcão e contava a sua vida toda (isso era todas as noites).

Outra cliente, uma americana, na hora do almoço pedia um filé mal passado, um omelete, e tomava duas doses whisky J. B., sempre reclamava que o file não estava no ponto (isso era todos os dias, ela reclamava, mas vinha sempre na lanchonete).

Até que apareceu um cliente surdo e mudo com sua namorada. Ficavam namorando no balcão e fazendo vários gestos, passou a ser o espetáculo da noite. Fora os clientes que nos fins de semana pediam para descontar vários cheques, aí eu coloquei um cartaz bem grande, fiz um acordo com os bancos: eles não vendem lanches e eu não empresto dinheiro.

Eu não aguentava mais os clientes.

Descobri que o cozinheiro roubava as carnes, frangos etc. Resolvi vender a lanchonete. Como era uma casa muito bonita e tinha bom movimento, foi rápido, vendi para a rede Papis.

Tomei o maior porre de alegria, vocês não sabem o que é ficar atrás de um balcão 24 horas por dia, dizer que o cliente sempre tem razão, uma ova.

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