Jovem alemã em Santana 1950-1960

Começando peco desculpar que o meu vocabulário é limitado. Desde 1961 vivo na Inglaterra e raramente tenho oportunidade de falar português.
Nascida na Alemanha em Janeiro de 1939, conseguiu sobreviver à guerra. Depois da guerra, o avô materno que vivia no Brasil chamou a família.

Chegamos a São Paulo em 1950. Morávamos na Tijuca Paulista quando fiz o Admissão no Externato Pedro Doll. Em seguida fui admitida ao Ginásio Salete. A Diretora na época era Leonilda Bortolo. No primeiro ano ainda tinha muita dificuldade com a língua portuguesa, e lembro que tive de decorar muitos textos.

Este ano fiz 70 anos e ainda tenho todas as Cadernetas (vermelhas) e os livros e cadernos dos meus anos no ginásio. Os meus filhos não falam português, assim não sei o que vão fazer com esta bagagem quando for embora desta terra. Como não estava preparada hoje de encontrar este site não tenho todo o material a mão, mas aqui vão uns nomes que me lembro: Professor Orlando Horacio Vita, Yvette Giondes, Marcus V. Sanchez, Margarida B. Fonseca, Aurélio Paschoal, Sr. Álvaro, Sr.Norman, Sr.Lauriano.

Colegas nos últimos anos foram: Lea Monteiro, Yara Lionello, Dayse Perini Seixas, Anna Maria Gullo, Lana Zamislowski, Luiza Kuehn, Sirene Cerri, Dalva Aurélia Luomgo, Cibele Martins, Benedita de Toledo, Celeste Linhares, Jeanette Rocha Miranda, Maryla Sztyber, Ilva Alves Romariz, Maria Aparecida Viggiani, Lia Magidman, Paulina dos Santos, Nilva Bossi, Elza Meindl, Anita Amaral Maciel, Marlene de Mattos Lima, Hellenica Silva de Oliveira, Elisa Pederzoli Soares, Idalina Rodrigues Amalia Antunes Gama, Dalila Suannes, Nancy Clerice, Elsa Meduna, Lídia Gallardo e muitas mais.

Eu frequentava o Clube Floresta aonde nos encontrávamos para nadar ou praticar outro esporte. Em Janeiro de 1967 voltei pela primeira vez ao Brasil. No dia 22 de Janeiro às 23 horas tomei um ônibus da Viação Cometa para ir a São Paulo. Dentro de 40 minutos, na Via Dutra, houve um temporal… O nosso ônibus já estava na subida, mas a estrada se abriu a nossa frente. Lá ficamos até a manhã do dia seguinte. Pela rádio ouvimos os gritos de pessoas em outros carros, estavam sufocando na lama.

Pela manhã descemos o morro a pé, vimos mortos nas arvores, braços na lama, as reportagens nos jornais falavam de mais de 400 mortos. Eu desmaiei no transporte de caminhão desta cena ao centro do Rio. Quando acordei do “coma” ou desmaio, estava em Lisboa, Portugal. Em outras palavras, em vez de me levarem a um hospital no Rio, me despacharam para a Europa. Depois deste acidente voltei ao Brasil em 1993, 1994, 1999 e 2008.

Em 1994 fui visitar o Salete. Apresentei-me na recepção dizendo que era uma ex-estudante de 1950… A moca me olhou como se visse uma miragem… Será possível ver uma pessoa que estudou aqui há tantos anos? No fim só tirei uma fotografia em frente à entrada.
O bairro de Santana é difícil de reconhecer. Eu tenho tantas boas lembranças… No ano passado não parei muito em São Paulo.

Tenho família (descendentes da família que estava no serviço imperial desde 1850) que vivem em Juiz de Fora e foi com eles que passei a maior parte da visita. O meu nome em alemão é como eu era registrada no Salete, Barbel Kaudela. Os ingleses não pronunciam bem o primeiro nome assim acabei usando a sua tradução, Bárbara Kaudela e o nome de meus pais. O meu nome agora Osorio-McLaren é o meu nome de casamento.
Se alguém se lembrar de mim ou se alguém quiser corresponder comigo em português, inglês ou alemão pode mandar e-mails.

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